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ONU marca Dia Internacional de Tolerância Zero à Mutilação Genital Feminina

Pelo Dia Internacional de Tolerância Zero à Mutilação Genital Feminina, marcado nesta sexta-feira, o secretário-geral da ONU, António Guterres, reafirmou que a prática viola os direitos humanos.

A mensagem enfatiza os princípios fundamentais universais à vida, à saúde e à integridade física e os danos causados a mais de 230 milhões de mulheres e meninas em todo o mundo.

Participação na vida pública

Para Guterres, esta prática está enraizada em desigualdades de gênero que restringem o acesso das meninas à educação, limitam as oportunidades econômicas das mulheres e reduzem a sua participação na vida pública.

Apesar do compromisso internacional de eliminar a mutilação genital feminina até 2030, Guterres alertou que cerca de 23 milhões delas continuam em risco de serem submetidas à prática.

Segundo a ONU, atingir a tolerância zero exige um compromisso político contínuo e investimentos sustentados, envolvendo governos, sociedade civil, profissionais de saúde e líderes tradicionais e religiosos.

O secretário-geral disse que a organização atua na prevenção e advocacia, no acesso a cuidados adequados para sobreviventes e no empoderamento de mulheres e meninas através da educação, do emprego e da liderança.

Meninas da região de Sidama, na Etiópia, participam de uma sessão sobre práticas nocivas, incluindo a mutilação genital feminina

Meninas da região de Sidama, na Etiópia, participam de uma sessão sobre práticas nocivas, incluindo a mutilação genital feminina

Dimensão global da prática

Atualmente, mais de 230 milhões de mulheres e meninas sobreviveram à prática da mutilação genital feminina e necessitam de acesso a serviços de saúde apropriados.

Estima-se que, sem uma aceleração significativa das ações, cerca de 22,7 milhões de meninas adicionais possam estar em risco até 2030. Todos os anos, aproximadamente 4 milhões de meninas são submetidas a esta prática, mais de metade antes dos cinco anos de idade.

Progresso e desafios até 2030

Embora se tenham registado avanços, a ONU indica que metade do progresso alcançado nos últimos 30 anos ocorreu apenas na última década.

Ainda assim, o ritmo atual é insuficiente, sendo necessário acelerar a redução da prática em 27 vezes para cumprir a meta dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável, ODS, até 2030.

O custo da falta de ação permanece elevado, com os sistemas de saúde a gastarem cerca de US$ 1,4 bilhões por ano no tratamento de complicações associadas à mutilação genital feminina.

Três amigas da região de Afar, na Etiópia, que estão lutando contra a mutilação genital feminina

Três amigas da região de Afar, na Etiópia, que estão lutando contra a mutilação genital feminina

Investimento e ação coordenada

A ONU destaca que o fim da mutilação genital feminina requer investimento sustentado e ações integradas. Para cada dólar investido na eliminação da prática, estima-se um retorno de US$ 10.

As áreas prioritárias incluem integração da prevenção em programas de educação, saúde e desenvolvimento da economia, reforço do financiamento nacional e privado, investimento em sistemas de dados para monitorizar progressos e envolvimento de comunidades na transformação de normas sociais.

Esforços globais para eliminar a prática 

O Dia Internacional de Tolerância Zero à Mutilação Genital Feminina foi estabelecido pela Assembleia Geral das Nações Unidas em 2012, com o objetivo de intensificar os esforços globais para eliminar esta prática.

O tema de 2026, “Rumo a 2030: não há fim para a mutilação genital feminina sem compromisso e investimento sustentados”, destaca a necessidade de envolvimento contínuo de governos, sociedade civil, comunidades e parceiros internacionais.

António Guterres apelou à renovação do compromisso coletivo para garantir que mulheres e meninas em todo o mundo possam viver livres de violência e medo.



Fonte ONU

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