InícioDireitos HumanosONU reforça resposta para...

ONU reforça resposta para proteger crianças de rua na África Ocidental

A ONU voltou a chamar atenção para a gravidade da situação enfrentada por crianças em situação de rua na África Ocidental, onde o tráfico humano atinge mais os menores de idade. 

De acordo com o Escritório das Nações Unidas sobre Drogas e Crime, Unodc, mais de 60% das vítimas identificadas de tráfico na região são crianças. Muitas são obrigadas à mendicância.

Exploração sexual

O Escritório Regional da ONU para os Direitos Humanos na África Ocidental  destacou a implementação do Projeto de Apoio à Proteção de Crianças Vítimas de Violações de Direitos,

Papev, desenvolvido em parceria com a Agência Italiana de Cooperação para o Desenvolvimento. A meta é  reforçar sistemas nacionais de proteção infantil.

Segundo os dados, a presença forçada de crianças nas  ruas representa 64% das formas de exploração associadas ao tráfico de menores na África Ocidental, seguida da exploração sexual com 34%. 

Estes números refletem realidades em que crianças veem negados direitos fundamentais como educação, saúde, proteção contra violência e a possibilidade de viverem em ambiente familiar seguro, aumentando o risco de permanecerem permanentemente em situação de rua.

media:entermedia_image:9e2cf0a7-dbcd-4d5b-b6ba-046a547b7f0d

Projeto procura fortalecer sistemas nacionais de proteção, melhorar o acesso a serviços de qualidade e criar respostas sustentáveis para casos de violência, tráfico e exploração

Guiné-Bissau  

O Papev atua na Guiné-Bissau, Gâmbia, Guiné, Mali, Níger e Senegal, com o objetivo de apoiar os Estados na implementação de compromissos internacionais e regionais sobre direitos da criança. 

O projeto procura fortalecer sistemas nacionais de proteção, melhorar o acesso a serviços de qualidade e criar respostas sustentáveis para casos de violência, tráfico e exploração.

Marco Falcone, representante da Aics, afirmou que “as crianças são o futuro destas nações” e defendeu que não pode existir progresso duradouro sem uma infância protegida e segura, tanto física como psicologicamente.

A parceria entre a agência italiana e o Waro, segundo ele, baseia-se na convicção de que uma infância realizada é condição essencial para o desenvolvimento sustentável.

Mais de 5 mil crianças apoiadas

A ONU indicou que mais de 5 mil crianças beneficiaram-se diretamente das ações do Papev desde o lançamento do projeto, com destaque para o período da pandemia de Covid-19, considerado um momento de vulnerabilidade extrema.

O comunicado refere ainda que, nos seis países abrangidos, mais de 50 estruturas de acolhimento e apoio foram equipadas e reforçadas, com um investimento total estimado em cerca de US$ 200 mil.

Além do apoio direto a serviços, o projeto também se concentrou em reforçar capacidades institucionais. 

Acolhimento familiar

Segundo a ONU, cerca de 1.500 profissionais dos setores judicial, social e administrativo receberam formação para melhorar o acolhimento, o acompanhamento e o acesso à justiça para crianças em situação de rua, tendo estas ações contribuído para reformas importantes, incluindo medidas sobre acolhimento familiar alternativo e o direito das crianças ao acesso à justiça.

Robert Kotchani, representante regional do Waro, afirmou que o objetivo do projeto não é apenas afastar crianças do perigo, mas criar um ambiente em que as suas opiniões sejam valorizadas e tenham peso real na tomada de decisões relacionadas com a sua proteção.

Crianças suportam o peso da incapacidade de resolução pacífica de disputas

© UNICEF/Vincent Tremeau

Crianças suportam o peso da incapacidade de resolução pacífica de disputas

Reintegração familiar 

O comunicado destaca que, em alguns casos, o apoio do Papev resultou na reintegração de crianças junto das suas famílias e comunidades. Na Gâmbia, Guiné, Guiné-Bissau e Senegal, 245 crianças foram reassociadas com familiares, com acompanhamento através de programas de reinserção social e profissional financiados pelo projeto.

Segundo a ONU, o acompanhamento pós-reintegração tornou-se uma prioridade central do Papev para assegurar dignidade, segurança e estabilidade no longo prazo. 

Aminata Kébé, coordenadora regional do projeto no Waro, afirmou que a família constitui o ambiente natural e ideal para o desenvolvimento infantil e que, quando uma criança é privada desse espaço, existe um dever moral e legal coletivo de garantir alternativas de cuidado que respeitem a dignidade e o melhor interesse da criança.

Fórum de Banjul reforça cooperação regional 

A ONU destacou ainda que, desde 2022, Estados da África Ocidental têm reforçado a cooperação contra o tráfico transfronteiriço de crianças através de um encontro estratégico regional denominado Fórum de Banjul.

De acordo com o comunicado, a iniciativa foi impulsionada pelo Papev com o objetivo de fortalecer a proteção infantil na região e criar um ambiente mais seguro para crianças em situação de maior vulnerabilidade.

Durante uma sessão do Conselho de Direitos Humanos da ONU em Genebra, o alto comissário das Nações Unidas para os Direitos Humanos, Volker Türk, apelou à união dos países da região para garantir a plena implementação da Convenção sobre os Direitos da Criança, defendendo uma resposta coordenada num momento descrito como particularmente difícil para a proteção infantil.



Fonte ONU

Popular

DEIXE UMA RESPOSTA

Por favor digite seu comentário!
Por favor, digite seu nome aqui

Leia mais

Qual a fase da Lua hoje (28)? Veja calendário lunar de fevereiro 2026

Aspectos científicos e curiosidadesA Lua, único satélite natural da Terra, possui...

O Agente Secreto virou livro e a gente conta por que vale a pena ler

O leitor também "vira uma mosquinha" nos bastidores da filmagem com...

Às vésperas de julgamento do caso Marielle no STF, especialistas da ONU pedem justiça

Um grupo de especialistas em direitos humanos das Nações Unidas pediu...