Forte odor, moscas e carcaças são relatados no convés. Testemunhas relatam sacos com corpos de bovinos e possível vazamento de fluidos, segundo relato publicado pelo jornal britânico The Sun. Organizações de bem-estar animal contabilizam ao menos 58 mortes e mais de cem nascimentos durante a travessia, com parte dos bezerros em situação desconhecida.
Animais estão confinados em porões superlotados de navio de 52 anos. A embarcação foi convertida para transporte de gado em 2011 e não teria estrutura para uma viagem tão longa. A Animal Welfare Foundation (Fundação pelo Bem-Estar Animal), organização internacional sediada na Alemanha, relata cerca de 140 partos a bordo, número que reforça a presença de vacas prenhes no carregamento.
Especialistas afirmam que a falta de água, ração e cama limpa agrava o sofrimento dos animais. A veterinária Maria Boada Saña descreveu ao The Sun que “cada atraso significa sofrimento massivo”, em razão do desgaste da viagem e das condições higiênicas precárias. A australiana Lynn Simpson diz ser provável que “a ração, o material de cama e a água fresca estejam no limite ou já tenham acabado”.
Por que a Turquia barrou o desembarque
Falhas na documentação sanitária e na identificação dos animais motivaram a recusa. Segundo autoridades locais, os brincos não correspondiam a parte dos registros apresentados pela tripulação. A Turquia autorizou que o navio atracasse somente para um reabastecimento rápido e, em seguida, determinou o retorno imediato do navio ao país de origem.
Organizações afirmam que o caso revela falhas estruturais no sistema de exportação de animais vivos. Para a Animal Welfare Foundation, a situação do Spiridon II é “exemplar” de problemas recorrentes em longos transportes marítimos de gado. A entidade afirma que episódios semelhantes continuarão ocorrendo enquanto o modelo de exportação não for revisto.
Fonte UOL
