O texto elogia ainda a forma como o filme usa seus personagens. “A ênfase de Mendonça Filho em detalhes marcantes e sensuais reforça o realismo do filme e ressalta que esta não é uma história sobre o poder estatal e institucional. É, antes, sobre pessoas comuns cuja existência é uma resposta e, às vezes, um baluarte contra as depredações desse poder. Alguns personagens apenas sobrevivem, testemunhando silenciosamente o que acontece, enquanto outros dançam e outros ainda resistem ao Estado.”
O personagem de Wagner Moura também ganha destaque na crítica. “Enquanto está fugindo, Marcelo não é uma versão engessada de um revolucionário heróico. Ele é, como afirma comoventemente, um homem inocente e comum que foi inadvertidamente arrastado para um horror nacional.”
Mendonça Filho (ex-crítico de cinema), porém, é, acima de tudo, aventureiro; um glorioso inconformista. Aqui, como em outros de seus filmes, ele ignora sutilezas e hierarquias de gênero, abraça o erudito e o popular, e mistura o refinado com o grosseiro, uma abordagem que é ao mesmo tempo estética e ética. Aqui, a vida pode ser brutal, mas também há amor, música, o sol escaldante, cerveja gelada e, claro, o Carnaval.
New York Times
Fonte UOL
