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Paracetamol na gravidez não aumenta risco de autismo, diz estudo

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O uso de paracetamol durante a gravidez não aumenta o risco de autismo, transtorno do déficit de atenção e hiperatividade (TDAH) ou deficiência intelectual em crianças. É o que conclui uma mega-análise publicada na revista científica The Lancet na sexta-feira (16). A pesquisa revisou décadas de dados para encerrar uma polêmica que preocupava pais e médicos mundo afora.

O trabalho é considerado o mais rigoroso já feito sobre o tema. Ao analisar 43 estudos internacionais, os pesquisadores conseguiram separar o efeito do remédio de outros fatores, como a genética familiar e as doenças que levam à necessidade da medicação.

Pesquisa sobre paracetamol na gravidez comparou irmãos para isolar fatores genéticos

Liderada por cientistas da Universidade City St George’s, em Londres, a meta-análise mergulhou em dados de centenas de milhares de crianças. O objetivo era entender se a ligação sugerida por estudos menores no passado era real ou apenas coincidência estatística causada por variáveis externas.

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Uso de paracetamol durante a gravidez não aumenta o risco de autismo, TDAH ou deficiência intelectual em crianças, segundo estudo (Imagem: Prostock-Studio/iStock)

A grande inovação metodológica foi o foco na comparação entre irmãos, técnica que os cientistas chamam de “padrão-ouro” para esse tipo de análise. Ao comparar filhos da mesma mãe (um exposto ao remédio e outro não), os pesquisadores puderam descartar a influência do histórico genético e do ambiente doméstico, que costumam confundir os resultados em pesquisas convencionais.

Os resultados mostraram que o paracetamol, por si só, é neutro para o neurodesenvolvimento. As dúvidas do passado surgiram porque estudos anteriores eram metodologicamente mais frágeis: eles dependiam da memória das mães sobre o que tomaram anos atrás ou não consideravam que a própria febre da gestante pode afetar o bebê.

Quando os filtros de rigor foram aplicados, o risco adicional para autismo ou TDAH simplesmente desapareceu. Essa conclusão traz um alívio para o protocolo obstétrico global ao reafirmar que o medicamento continua a ser a opção mais segura para tratar dores e estados febris durante a gestação.

Ciência rebate boatos políticos e alerta para riscos da febre

A publicação na The Lancet ocorre num momento crítico de combate à desinformação. Em setembro de 2025, declarações sem provas feitas pelo governo dos Estados Unidos sugeriram uma ligação direta entre o paracetamol e o autismo, o que gerou um alarme social desnecessário entre gestantes.

Médicos alertam que evitar o remédio sem orientação pode ser muito pior do que tomá-lo. Uma febre não tratada na gravidez aumenta drasticamente as chances de aborto, parto prematuro e malformações congênitas, riscos cientificamente comprovados e muito mais perigosos para o feto do que o uso controlado do analgésico.

Por isso, entidades como a Agência Europeia de Medicamentos (EMA) e o Colégio Americano de Obstetras mantêm o paracetamol como a primeira escolha de tratamento. A recomendação final é: o remédio é seguro quando usado nas doses corretas e funciona como uma ferramenta essencial de proteção à saúde da mãe sem comprometer o desenvolvimento da criança.

(Essa matéria também usou informações da Universidade City St George’s.)




Fonte Olhar Digital

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