De voz poderosa, era fã de cinema e confeiteira talentosa – 27/01/2026 – Cotidiano

Quando a família de Nelza se mudou para uma fazenda experimental em Pindorama, no interior de São Paulo, a menina, ainda com oito anos, descobriu a paixão pelos estudos e também pelo cinema.

O pai, ferreiro, produzia as ferramentas usadas na unidade vinculada ao governo de São Paulo, destinada a pesquisas agrícolas com café, laranja e outras culturas. Além da escola e das brincadeiras, a diversão era assistir aos filmes exibidos no local.

Criada também pelos avós portugueses, aprendeu a falar a língua segundo as regras do outro lado do Atlântico e preservou a atenção com a pronúncia e a gramática, diz a filha, Ana Lúcia Soares, 66.

Depois de a família se mudar para Catanduva, Nelza começou a trabalhar em uma fábrica de camisas masculinas, aprimorando as habilidades de costura, depois usadas também para as roupas da família, dos pequenos reparos aos enxovais inteiros.

Conheceu o marido, Zuarte Bernardo Soares, ainda na fazenda, quando ambos eram crianças. Falecido em 2019, ele chegou a ser reconhecido na região como jogador de futebol. Casaram-se em meados dos anos 1950 e tiveram Ana Lúcia e Antonio Sergio Soares, 64.

Nelza tinha sempre por perto um jogo de palavras-cruzadas. Ela estudou até a antiga quarta série (atual quinto ano), já que morava na fazenda e a família não tinha condições de mandá-la a Catanduva para continuar com os estudos.

Durante a educação dos filhos, também aproveitava para manter a educação em prática. “Ela passava roupa à noite enquanto a gente fazia as tarefas. E aí ela fazia a minha. Depois de descobrirem, as professoras diziam ‘parabéns à dona Nelza, tirou dez’”, lembra Ana Lúcia.

E embora Antonio Sergio fosse mais arteiro, sabia dos limites. “Ela defendia a gente de tudo, mas se ficasse braba, vixe. Se eu pulasse a janela, não adiantava, ela falava ‘volta aqui’, e a palavra era a lei”, diz ele.

Os netos, Angélica Zago, 39, e Enrique Zago, 34, filhos de Ana Lúcia, não têm dúvidas sobre a preferência entre os muitos talentos da avó na cozinha. “Bolo, esfirra e coxinha”, diz Enrique, sem titubear. “Fez o bolo do meu casamento”, afirma Angélica, que também escolheu Nelza para levar, junto com Zuarte, as alianças durante a cerimônia.

Na memória dos filhos está a voz poderosa da mãe ecoando durante as procissões para Nossa Senhora, uma das inúmeras atividades dedicadas à igreja. E também lembram, apesar do som grave, de Nelza chegando aos tons mais altos da canção “Índia”, na interpretação da dupla Cascatinha e Inhana, sucesso nas festas de Natal. Os dias inteiros, dizem Ana Lúcia e Antonio Sergio, eram embalados pelas músicas do rádio, que ela também acompanhava.

Nos últimos anos, Nelza estava com a saúde debilitada, após um câncer no pulmão e um acidente vascular cerebral. Ela morreu em 21 de dezembro, aos 89 anos. Deixa os filhos e os netos.

coluna.obituario@grupofolha.com.br

Veja os anúncios de mortes

Veja os anúncios de missa



Fonte UOL

Popular

DEIXE UMA RESPOSTA

Por favor digite seu comentário!
Por favor, digite seu nome aqui

Leia mais

Meta planeja iniciar produção de chip de IA em setembro, mostra memorando

!function(f,b,e,v,n,t,s) {if(f.fbq)return;n=f.fbq=function() {n.callMethod? n.callMethod.apply(n,arguments):n.queue.push(arguments)}; if(!f._fbq)f._fbq=n;n.push=n;n.loaded=!0;n.version='2.0'; n.queue=;t=b.createElement(e);t.async=!0; t.src=v;s=b.getElementsByTagName(e); s.parentNode.insertBefore(t,s)}(window, document,'script', ' fbq('init',...

‘O Convite’ tem humor e segredo picante: ‘Todos vão se identificar’

Na conversa, Flavia Guerra explicou que a trama parte de um...