A ONU realiza esta terça-feira uma sessão do Comitê para o Exercício dos Direitos do Povo Palestino na sede da organização, em Nova Iorque. O secretário-geral, António Guterres, reiterou o compromisso da comunidade internacional com a realização plena dos direitos dos palestinos.
O discurso sublinhou a urgência de avanços concretos rumo à paz e alertou para a piora contínua da situação nos Territórios Palestinos Ocupados.
50 anos de mandato
Ao assinalar os 50 anos de trabalho do Comitê, Guterres destacou que a entidade tem defendido de forma consistente o direito do povo palestino à autodeterminação.
O líder das Nações Unidas enfatizou que o novo ano se inicia num momento crítico, questionando se o período que se avizinha caminhará no sentido da paz ou do agravamento do conflito.
Nesse contexto, apontou a Declaração de Nova Iorque e os seus anexos, endossados pela Assembleia Geral no ano anterior, como um roteiro claro e operacional para a implementação da solução de dois Estados, complementado pela Aliança Global para a solução de dois Estados.
O secretário-geral, António Guterres
Situação humanitária em Gaza
O secretário-geral descreveu a situação em Gaza como extremamente frágil, salientando que a população palestina continua a enfrentar sofrimento grave.
Guterres indicou que, desde o acordo alcançado em outubro, mais de 500 palestinos foram mortos. Ele apelou a todas as partes para a implementação integral do acordo, o exercício de máxima contenção e o cumprimento do direito internacional e das resoluções das Nações Unidas.
Defendeu ainda a necessidade de garantir a passagem rápida e sem obstáculos da ajuda humanitária em larga escala, incluindo através da passagem de Rafah, sublinhando que a suspensão de organizações não governamentais internacionais compromete os princípios humanitários e agrava o sofrimento dos civis.
Cisjordânia e expansão de colonatos
Relativamente à Cisjordânia ocupada, incluindo Jerusalém Oriental, António Guterres manifestou profunda preocupação com a intensificação da expansão de colonatos, demolições, deslocações forçadas e despejos.
Referiu que mais de 37 mil palestinos foram deslocados apenas em 2025, ano que registou níveis recorde de violência por parte de ocopantes de assentamentos de Israel.
Destacou ainda como alarmante o concurso recentemente publicado para a construção de 3.401 unidades habitacionais na zona E1, alertando que a sua concretização comprometeria a continuidade territorial da Cisjordânia e enfraqueceria de forma grave a viabilidade da solução de dois Estados.
Portão instalado recentemente dentro do campo de refugiados de Jenin, na Cisjordânia
Apelos à comunidade internacional
No seu discurso, o secretário-geral reafirmou total apoio à Agência das Nações Unidas de Assistência aos Refugiados Palestinos no Oriente, Unrwa
Ele condenou leis adotadas pelo Parlamento de Israel que dificultam o seu funcionamento, bem como ações para demolir instalações da agência em Jerusalém Oriental.
Sublinhou que as instalações da Unrwa são instalações da ONU, invioláveis e protegidas pelo direito internacional, e apelou aos Estados-membros para que continuem a garantir apoio político e financiamento sustentável à agência.
Guterres concluiu o discurso reiterando que a ocupação deve terminar, que os direitos inalienáveis do povo palestino devem ser concretizados e que apenas uma solução de dois Estados, em conformidade com o direito internacional e as resoluções da ONU, pode conduzir a uma paz justa e duradoura entre palestinos e israelenses.
Fonte ONU
