Prejuízo da Oncoclínicas mais que triplica no 1º tri – 14/05/2026 – Economia

O prejuízo da Oncoclínicas mais do que triplicou no primeiro trimestre deste ano em relação ao ano passado, disparando para R$ 438,7 milhões, mostrou o balanço da empresa divulgado nesta quinta-feira (14).

A receita da rede de clínicas caiu 22,3%, para R$ 1,2 bilhão, no mesmo período. O Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização) no trimestre ficou negativo em R$ 49,2 milhões, e a dívida líquida atingiu R$ 3,3 bilhões. A alavancagem financeira, por sua vez, foi de 5,2 vezes o Ebitda.

O balanço trimestral também repetiu o parecer de incerteza sobre a continuidade operacional da companhia, que já havia aparecido na divulgação dos resultados do último trimestre de 2025.

A Oncoclínicas é uma rede de clínicas oncológicas fundada em 2010 que tem, atualmente, 142 unidades em 49 cidades do país. As unidades da rede incluem clínicas, laboratórios de genômica e patologia, unidades de prevenção e diagnóstico e centros integrados de tratamento ao câncer.

No primeiro trimestre deste ano, a empresa conseguiu suspender cobranças de bancos por 60 dias por meio de um pedido de tutela cautelar ao TJ-SP (Tribunal de Justiça de São Paulo). A solicitação, feita em abril, ocorreu uma semana após o balanço de resultados de 2025 indicar um endividamento de R$ 3,3 bilhões, acima do limite estabelecido com credores.

Também após a divulgação desses resultados, os grupos Porto e o Fleury desistiram de um acordo para comprar participação na Oncoclínicas, influenciados pelo tamanho da dívida. O débito era o ponto central das negociações entre as empresas.

No balanço desta quinta, a companhia afirmou que “está em negociação com credores para regularizar a situação, incluindo possível repactuação das dívidas (novos prazos, taxas e garantias).” Também destacou a venda de ativos, o aumento de capital (homologado no ano passado) e mudanças na presidência entre as medidas adotadas para amenizar pressões sobre a geração de caixa.

Ainda assim, a Oncoclínicas afirmou que existe “incerteza relevante, que pode levantar dúvida significativa quanto à continuidade operacional da companhia”, considerando que a recuperação do grupo depende principalmente do êxito dos planos da administração, “cujos desfechos não dependem integralmente da companhia.”

A PwC, que realizou a auditoria independente dos números, reforçou esse parecer, afirmando que a rede “tem apurado prejuízos repetitivos em suas operações”.

A situação delicada vivida pela companhia, conforme seus próprios documentos, é fruto de fatores que afetaram a liquidez corrente da rede, como as perdas com recursos depositados no Banco Master —a empresa tinha R$ 430,9 milhões em CDBs (Certificados de Depósito Bancário) da instituição— e a inadimplência da Unimed-Ferj.



Fonte UOL

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