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G’AIM’E Time Crisis Lightgun vale a pena? Review da pistola de luz que ressuscita os fliperamas


Existe uma memória afetiva muito específica que só quem frequentou fliperamas nos anos 90 entende: a sensação de estar “dentro” do jogo e não segurar o controle, mas sim a arma que o protagonista usa, mirar na tela e ouvir o barulho do tiro acertando um inimigo de pixel. Time Crisis, Virtua Cop, House of the Dead são alguns dos jogos que marcaram uma geração, e agora, com a G’AIM’E Lightgun, você pode reviver uma parcela dessa época na sua sala (sem precisar separar fichas).

Nos últimos dias testamos a G’AIM’E Lightgun aqui na redação, e o resultado foi bastante positivo, com alguns pontos de atenção que vale conhecer antes de colocar a mão no bolso.

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O produto e quem faz

A G’AIM’E Lightgun é fabricada pela Tassei Denki, uma subsidiária da Dashine Electronics, empresa com histórico de desenvolvimento e fabricação de periféricos licenciados para grandes marcas do mercado gamer. O projeto nasceu no Kickstarter e bateu sua meta rapidamente.

O diferencial técnico do produto está na tecnologia chamada de sistema G’AIM’E: uma câmera de alta resolução integrada ao cano de cada pistola, combinada com inteligência artificial que rastreia os movimentos da arma em relação à sua tela. É uma abordagem diferente das Lightguns originais, que dependiam de monitores CRT para funcionar e que acabavam tornando esses periféricos inutilizáveis em TVs modernas.

Testamos a versão Ultimate, o pacote mais completo disponível, que inclui: duas pistolas G’AIM’E, um mini console, um pedal, um pin de edição limitada de Time Crisis, um diorama exclusivo, cabo HDMI de 1m e cabo USB-C de 1m. A tomada vem com cinco encaixes, sendo um deles o padrão brasileiro com dois pinos, bem simples de encaixar.

Uma observação: o cabo USB-C e o HDMI de 1m são curtos demais para muitas configurações de sala. Dependendo de onde fica o seu console e sua TV, isso pode atrapalhar o posicionamento para encaixar numa tomada, porém cabos maiores podem resolver esse problema.

 

Configurações e calibração

Antes de ligar o console, foi necessário fazer uma atualização de patch que corrige alguns problemas anteriores. Funcionando somente em Windows, tive que ir até o site da empresa para baixar o pacote, porém tive que desligar temporariamente algumas funções importantes do computador, como a Segurança do Windows (Windows Defender) e o isolamento de núcleo. Caso você compre, não esqueça de ligá-los novamente.

Ligar e configurar o sistema é bem simples: o tutorial inicial está em inglês, mas é direto ao ponto e fácil de entender mesmo para quem não domina o idioma. Assim que termina, o jogo pede uma calibração: você aponta a pistola para a TV e atira três vezes nos alvos que aparecem na tela. Feito isso, está pronto para jogar.

A arma tem cinco botões: A (lado esquerdo), B (lado direito), pausa, inserir ficha e o gatilho. Há também uma trava de recuo que, quando acionada, provoca uma leve vibração e empurra a arma sutilmente para trás, lembrando o kickback das pistolas arcade originais. Pessoalmente, achei que o efeito poderia ser um pouco mais intenso, mas é melhor ter do que não ter.

O pedal é “opcional”: em Time Crisis, que originalmente exigia o pedal para se agachar atrás da cobertura, pode ser substituído usando os botões A ou B para recarregar. Para uma experiência mais fiel ao arcade, o pedal faz diferença, mas para jogar de forma mais casual, até que dá pra se virar sem ele.

Distância, iluminação e o que pode dar errado

Aqui mora o maior ponto de atenção do produto: a tecnologia de câmera e a IA da G’AIM’E é sensível ao ambiente, e esses dois fatores podem atrapalhar bastante a mira: luz intensa e outras telas por perto, qualquer que seja.  

No início dos testes, a mira da pistola estava puxando muito para a direita, especialmente em inimigos mais distantes (o que em Time Crisis é um problema sério). Porém, depois que apaguei algumas luzes na sala, tirei o celular  e a segunda pistola que estavam na mesa, a mira melhorou. Uma ou duas calibrações depois, a mira estava precisa e o jogo fluía sem problemas.

O manual é bem claro sobre as distâncias recomendadas por tamanho de TV: para telas entre 32” e 50”, a distância ideal é de 2 a 3 metros. Para TVs entre 20” e 32”, de 1,5 a 2 metros. Entre 50” e 65”, de 3 a 3,5 metros. Acima de 65”, de 3 a 4 metros ou mais. Testamos numa TV de 40”, mantendo a distância indicada, porém se você tiver uma sala muito pequena, talvez valha a pena jogar numa tela menor, como num monitor por exemplo (testamos numa TV de 60” a 2 metros e meio e ainda funcionou)

O menu de pausa oferece acesso rápido à calibração (basta segurar o botão A), levando também as configurações de cada jogo. Lá existe a opção de exibir a mira na tela em Time Crisis, algo que recomendamos deixar ativado pelo menos nas primeiras sessões, pois ela funciona como um diagnóstico em tempo real: se a mira está no lugar errado, você sabe que algo no ambiente está interferindo antes de ficar frustrado com a pontaria.

 

A melhor parte: os jogos

São quatro títulos pré-instalados, com uma seleção muito boa: Time Crisis é o carro-chefe e a razão de existir o produto, já que a G’AIM’E conseguiu em 2025 um acordo de licenciamento com a Bandai Namco para incluir o clássico dos anos 90 e celebrar seus 30 anos. São três níveis de dificuldade, opção de ativar ou desativar a mira na tela, configuração de intensidade do flash ao atirar e escolha de cor para as barras laterais. Você tem créditos ilimitados, já que o botão de inserir ficha pode ser acionado a qualquer momento, o que torna a experiência mais acessível sem tirar o charme.

Point Blank (o original, não as versões mais recentes de tiro em primeira pessoa) foi, sem dúvida, o favorito de todo mundo que testou aqui na redação. Acerte os alvos certos sem atingir os reféns, acerte a maçã na cabeça do Dr. Dan, acerte o maior número de garrafas em cinco segundos – é sucesso garantido em qualquer reunião com amigos. Suporta dois jogadores simultâneos, o que multiplica a diversão.

Steel Gunner e Steel Gunner 2 completam o pacote: shooters arcade em primeira pessoa, também da Namco, eles foram os pioneiros da empresa desenvolvidos especificamente para o uso com pistola de luz. Não são os mais elaborados da seleção, mas têm seu charme histórico e funcionam bem como um passatempo caso enjoe para os títulos principais.

Vale a pena?

Depois de várias horas de testes e com a equipe da redação formando uma pequena fila para jogar Point Blank, o saldo é positivo. A G’AIM’E Lightgun entrega o que promete: uma experiência arcade nostálgica numa TV moderna, com tecnologia que realmente funciona quando o ambiente está configurado corretamente. Quem pegou a época dos fliperamas vai sentir aquela memória afetiva, enquanto quem nunca jogou terá uma excelente porta de entrada para entender por que esses jogos marcaram tanto uma geração inteira.

Porém, o preço é salgado: a versão Premium, que vem com uma arma, pedal e o pin de Time Crisis sai por R$ 1.400, enquanto essa que testamos – a Ultimate, custa R$ 1.750, vindo com 2 lightgun, um pedal, um pin de Time Crisis e um diorama exclusivo. ambas com revenda oficial no Brasil feita exclusivamente pela Casa do Videogame em sua loja física em São Paulo. É o custo de trazer uma tecnologia específica e um licenciamento de franquia para dentro de casa, porém, se você tem saudade de Time Crisis ou quer apresentar Point Blank para alguém que nunca jogou, a G’AIM’E Lightgun é uma boa forma de fazer isso hoje.

Produto cedido pela G’AIM’E para análise. 
 



Fonte Tecmundo

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