A questão é que, por trás do embate comercial, está o interesse de setores do trumpismo, como do secretário de Estado Marco Rubio, em ajudar Flávio Bolsonaro a ganhar a eleição. Ou seja, é murro em ponta de faca.
Pegou muito mal para o senador o ataque econômico ao Brasil. Não que ele tenha pedido uma pancada no Pix, porque não é suicida. A questão é que ele não controla a forma como os EUA vão tentar implementar o seu pedido de apoio nas eleições. O tiro do aliado foi tão grande que ele próprio acabou alvejado.
E não foi só isso que pegou mal. Se Donald Trump tivesse elogiado Flávio Bolsonaro no dia em que o senador o visitou na Casa Branca, teria sido a glória. Mas o presidente dos EUA resolveu exaltar o filho de Jair nas redes no momento em que ele era acusado de ajudar o Tio Sam no tarifaço. Com isso, Trump acabou passando a imagem de estar saindo em socorro de um aliado que o ajudou. Ou seja, emitiu um atestado de traição.
E tudo o que o senador e pré-candidato à Presidência da República não podia era passar a imagem de agente infiltrado de Washington. Para piorar, naquele momento, Lula havia acabado de fazer uma dura crítica à família Bolsonaro, corresponsabilizando-a pelo tarifaço de 25%, chamando-a de “vendilhões da pátria” e “traidores”.
Logo após começarem a circular memes, como o que mostra o senador como um jogador dos EUA chamado “Tariflávio”, transformado em figurinha do álbum da Copa do Mundo, ele deu uma entrevista jurando que pediu “expressamente” ao governo Trump para não taxar as empresas brasileiras. Mas, como seu irmão, Eduardo Bolsonaro, abertamente chamou para si os louros pelo tarifaço de 50% imposto ao Brasil no ano passado, quando ele usava a pressão de Trump para tentar livrar seu pai da cadeia por tentativa de golpe, a palavra do senador foi posta em xeque.
Agora, vai aos EUA na torcida para que, após sua fala, o tarifaço seja revertido. Daí, ele, que atirou a pedra na vitrine, vai se vender como o que salvou a loja da violência.
Fonte UOL
