
O atual surto de ebola na República Democrática do Congo, RD Congo, já configura o terceiro maior de todos os tempos, com 2 mil casos confirmados e mais de 700 mortes em cinco províncias.
O diretor do Programa de Emergências de Saúde da Organização Mundial da Saúde, OMS, acaba de retornar de Bunia, na província de Ituri, o local que se tornou o epicentro da crise.
Transmissão atinge níveis recordes
Falando a jornalistas em Genebra, Chikwe Ihekweazu relatou que as infecções pela variante do vírus conhecida como bundibugyo) atingiram níveis recordes e a maioria dos novos casos provém de “cadeias de transmissão desconhecidas”.
Ele afirmou que o crescimento das infecções atingiu o patamar mais alto em um único mês desde o início do surto e já configura o contágio “mais acelerado de todos os surtos de ebola já gerenciados pela OMS”.
O especialista acrescentou que nos últimos dias as equipes em campo observaram alguns dos maiores números de novas infecções em um único dia, incluindo mais de 80 casos confirmados em 24 horas.
Para o representante da OMS o dado mais alarmante é o fato de que muitas das mortes recentemente relatadas são de pessoas que faleceram em suas comunidades sem nunca terem chegado a um centro de saúde ou recebido atendimento.
Profissionais de saúde com equipamentos de proteção individual completos estão dentro de uma tenda médica durante uma operação de resposta ao surto de Ebola em Uganda.
“A situação é semelhante a um incêndio”
A OMS realiza rastreamento para garantir que todos aqueles que tiveram contato com pessoas infectadas sejam monitorados.
Mas Ihekweazu alertou que apesar dos avanços no diagnóstico e das altas taxas de rastreamento de contatos, 80% dos novos casos estão fora das listas de monitoramento. Isso significa que existem cadeias de transmissão desconhecidas.
O surto atual foi declarado há quase dois meses, e a modelagem da OMS indica que sua escala real pode ser de duas a quatro vezes maior que o número de casos relatados.
Ihekweazu comparou a crise com um incêndio, pois há algo alimentando o fogo em seu núcleo, ao mesmo tempo em que ele se expande.
Embora até 95% de todos os novos casos de ebola provenham da província de Ituri, onde o surto começou, o vírus se espalhou recentemente para duas novas províncias, Haut-Uele e Tshopo.
Busca por tratamento
O especialista da OMS afirmou que é preciso conter o epicentro do surto em Ituri e, ao mesmo tempo, “compreender as rotas de viagem e mapear realmente onde estão os riscos de surgirem novos casos”.
Diversos medicamentos estão sendo testados em ensaios clínicos, mas ainda não existe tratamento aprovado para a espécie bundibugyo. Mesmo assim, as chances de sobrevivência aumentam significativamente com o início precoce do tratamento de suporte.
Questionado sobre os recentes ataques a profissionais e instalações de saúde, Ihekweazu explicou que a solução reside em “ser aberto e transparente” sobre os cuidados prestados.
Ele explicou que antes da inauguração de qualquer novo centro, a OMS convida os líderes da comunidade para ver o que está sendo feito e para conhecer os profissionais de saúde que deixaram suas casas para apoiar a resposta à pandemia.
Fonte ONU
