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Meta põe Brasil na rota de expansão de apps para óculos inteligentes

  1. indica o grau de falta de privacidade a que podemos chegar se acessórios tão casuais virarem ferramentas de vigilância em massa –já há relatos de agentes do ICE, o serviço de imigração dos Estados Unidos, usando os óculos em batidas contra imigrantes.
  2. esse soa internamente na Meta, pois indica haver pessoas interessadas em dar ao aparelho outras utilidades –e isso no mundo da tecnologia costuma ser sinal de que algo pegou, ainda que signifique também empreender esforços adicionais para conter condutas inadequadas.

Agora, a Meta quer induzir os desenvolvedores a pensar fora da caixa logo de partida e imaginar soluções para acessibilidade, educação, saúde, turismo, produtividade e criatividade. O primeiro item da lista, aliás, já apresenta entusiastas, visto que pessoas com deficiência visual abraçaram os acessórios, que dá a elas maior autonomia. Num supermercado, por exemplo, não precisam de auxílio para identificar entre diferentes tipos de marcas de sabão em pó ou de biscoitos. Basta perguntar aos óculos.

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Paira sobre os óculos inteligentes a sombra do histórico da Meta, que coleciona casos de abusos à privacidade de seus usuários. O último deles foi liberar sua IA para usar fotos dos perfis no Instagram. Bastava indicar a conta e falar as instruções da alteração, e o Meta IA dava conta do resto. Prato cheio para golpes e modificações indesejadas com as fotos das pessoas. Depois da repercussão negativa, ela voltou atrás. Reconhecer é um passo importante, mas melhor mesmo seria aprender com erros do passado, já que o Facebook usou reconhecimento facial durante dois anos para identificar pessoas em fotos, mas tirou a função do ar em 2021 após uma chuva de críticas.

A despeito da desconfiança em torno da empresa de modo geral, os óculos despertam receios só seus. Muito disso vem da experiência desastrosa do Google Glass, cuja presença deixava quem estivesse próximo desconfiado de estar sendo filmado sem aviso. No caso dos óculos da Meta, um LED começa a piscar para sinalizar gravações. Usuários, no entanto, começaram a contornar o aviso, e a Meta passou a impedir os óculos de gravarem caso o LED fosse danificado ou inutilizado.

Ponto de alerta mesmo é onde ficam guardados as fotos e os vídeos gravados com os óculos. Esses arquivos são obrigatoriamente armazenados nos serviços de nuvem da Meta e usados para a empresa treinar seus modelos de IA. E boa parte desse aperfeiçoamento é feito por seres humanos com acesso a essas imagens, muitas delas íntimas —tem até atividades sexuais.





Fonte Agência Brasil

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