Isso desmente a falsa ideia vendida por grupos fundamentalistas religiosos e extremistas de direita que o perigo vem daquilo que é de fora do círculo de segurança. Em outras palavras, que o “porto seguro” é a família e a casa, enquanto o risco está nos professores, nos desconhecidos e até em exposições de arte.
Pelo contrário: apesar de escolas serem frequentemente atacadas pela educação sexual (o que pode conscientizar estudantes e ajuda-los a identificar e denunciar casos de abuso), ainda assim são muitas vezes o único porto seguro real para crianças. Sim, elas são palco de outras formas de violências, mas também o local onde os pequenos podem encontrar acolhimento contra familiares que os abusam.
Apesar de artistas e suas exposições terem sido falsamente acusados de promoverem violência sexual contra crianças, ela ocorre predominantemente no seio da própria família. Não há tem notícia que artistas em museus estuprem crianças. O mesmo não pode se dizer de certos pais, padrastos, tios, primos, avôs em casa.
E, enquanto isso, parte da sociedade trabalha para normalizar barbáries contra a infância. Por exemplo, a Câmara dos Deputados e o Senado Federal aprovaram um projeto para derrubar regras sobre o aborto legal para crianças e adolescentes. O objetivo foi dificultar a interrupção da gestação em casos que resultam de estupro.
Isso anulou uma resolução aprovada pelo Conanda (Conselho Nacional dos Direitos da Criança e do Adolescente) que estabelecia diretrizes para o aborto já garantido por lei a esse grupo. A existência dos parâmetros facilitava a vida de vítimas.
A resolução garantia, por exemplo, que o hospital não pode criar obstáculos adicionais ao direito já assegurado, como a exigência de exames desnecessários com o fim de postergar o procedimento, aumentando o trauma e os riscos à saúde da vítima. Também afirmava que não havia limite de tempo de gravidez para a interrupção e não condicionava o aborto à autorização dos responsáveis.
Fonte UOL
