O diretor Ernesto Solis aponta que a história tenta capturar uma mistura que ele considera “muito carioca”: diversão e perversidade andando juntas. Para ele, o jogo do bicho simboliza esse contraste, ao reunir festa e exploração.
Tem uma coisa muito carioca na história, que é essa mistura entre a perversidade e a diversão. O jogo do bicho tem esse elemento. Eles são os donos do carnaval, da grande festa do Rio e, ao mesmo tempo, por trás do jogo a gente sabe que existe um mecanismo de exploração de uma população.
Ernesto Solis
Rodrigo Pesavento reforça a leitura de que a distopia não precisou “reinventar” o Rio, mas apenas esticar tendências que já aparecem na cidade. “A gente teve que dar corda pro que naturalmente acontece aqui no Rio”, comentou.
Para Solis, o filme também encosta no impulso de buscar no jogo um alívio — seja por prazer, seja como fuga da dureza cotidiana. “Buscar no jogo uma recompensa, uma salvação mágica”, como resumiu Meirelles, faz parte do motor dramático do longa.
Tem uma coisa no filme que é esse elemento de você buscar no jogo um prazer, uma satisfação. E ao mesmo tempo também se distrair da miséria.
Ernesto Solis
Fonte UOL
