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Esta água-viva consegue voltar a ser jovem depois de envelhecer

A Turritopsis dohrnii consegue fazer algo extremamente raro entre os animais: depois de chegar à fase adulta, ela pode voltar a uma etapa anterior de seu desenvolvimento. Em vez de seguir diretamente para o fim do ciclo de vida, a água-viva pode retornar ao estágio de pólipo, uma forma mais jovem e presa a uma superfície.

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Esse processo é chamado de transdiferenciação, quando uma célula já especializada muda de função e passa a exercer outro papel. Na prática, o organismo desmonta parte de sua estrutura adulta e reorganiza seus tecidos para voltar a uma fase anterior do desenvolvimento. É por isso que a espécie ficou conhecida como “água-viva imortal”.

Medusa (Turritopsis dohrnii) em aquário
Pesquisadores estudam a Turritopsis dohrnii para entender como suas células lidam com o envelhecimento. – Imagem: SquareStoreHouse/Shutterstock

A água-viva consegue reiniciar seu ciclo

O ciclo de vida da Turritopsis dohrnii normalmente começa com o pólipo. A partir dele surgem pequenas medusas, que crescem até chegar à fase adulta. O que torna essa espécie diferente é a possibilidade de fazer o caminho inverso.


Quando a água-viva adulta sofre danos, envelhece ou é submetida a condições desfavoráveis, ela pode iniciar a reversão. O corpo perde as características da fase adulta e passa por uma etapa intermediária, chamada cisto. Depois, o tecido se reorganiza até formar novamente um pólipo.

Um estudo publicado em 2019 na revista G3: Genes, Genomes, Genetics, assinado por Yui Matsumoto, Stefano Piraino e Maria Pia Miglietta, analisou justamente esse processo. Os pesquisadores identificaram mudanças na atividade dos genes durante a transformação e encontraram sinais relacionados ao reparo do DNA, à manutenção dos telômeros — estruturas que protegem as extremidades dos cromossomos — e à mudança de função das células.

A capacidade não é apenas uma hipótese. Experimentos mostram que a espécie pode realizar essa reversão e voltar a produzir uma nova geração de águas-vivas. É esse potencial de retornar a uma fase anterior do desenvolvimento que sustenta o conceito de imortalidade biológica associado à espécie.

“Imortal” não significa impossível de matar

O apelido pode causar confusão. A Turritopsis dohrnii não é indestrutível e não está protegida contra todos os riscos do ambiente. A chamada imortalidade biológica significa que o organismo pode escapar da morte causada pelo envelhecimento ao reverter seu desenvolvimento.

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A diferença é importante. Um mecanismo capaz de rejuvenescer o organismo não elimina todas as outras ameaças à sobrevivência. Por isso, é mais preciso dizer que a espécie possui uma capacidade extraordinária de evitar o envelhecimento do que afirmar que ela nunca pode morrer.

Pesquisas mais recentes tentam descobrir o que permite a essa espécie fazer algo que as células humanas não conseguem naturalmente. Em 2021, Yui Matsumoto e Maria Pia Miglietta, da Texas A&M University, publicaram na revista Genome Biology and Evolution um estudo sobre as mudanças na atividade dos genes durante a reversão do ciclo de vida.

Os resultados reforçaram o interesse em processos ligados à reparação do DNA, à capacidade de renovação das células e à reprogramação celular. A ideia não é encontrar uma fórmula para tornar seres humanos imortais, mas entender melhor como diferentes organismos lidam com danos celulares e com o envelhecimento.

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O contato com cães pode ter um efeito anti-envelhecimento e antiestresse, segundo novas descobertas científicas
Na natureza, uma pequena água-viva oferece pistas sobre um dos grandes mistérios da biologia: por que envelhecemos. – Imagem criada por inteligência artificial (ChatGPT / Olhar Digital)

O que isso pode ensinar sobre o envelhecimento

Em 2022, outro estudo publicado na Proceedings of the National Academy of Sciences comparou o genoma da Turritopsis dohrnii com o de uma espécie próxima que não apresenta a mesma capacidade de rejuvenescimento. Os pesquisadores encontraram diferenças em genes relacionados ao reparo do DNA, à manutenção dos telômeros, às células capazes de gerar diferentes tipos de tecido e à comunicação entre as células.

Esses resultados ajudam os cientistas a investigar por que algumas células conseguem recuperar características de fases anteriores da vida e como mecanismos semelhantes podem estar relacionados ao envelhecimento. Isso ainda está no campo da pesquisa básica e não significa que exista uma aplicação médica capaz de rejuvenescer pessoas.

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O mais surpreendente na Turritopsis dohrnii é que seu ciclo de vida não precisa seguir uma única direção. Enquanto o envelhecimento costuma ser entendido como um caminho sem volta, essa pequena água-viva possui uma estratégia biológica que permite retornar a uma fase anterior. É justamente essa capacidade que faz dela um dos exemplos mais intrigantes da natureza para quem tenta entender por que os organismos envelhecem.

Valdir Antonelli

Valdir Antonelli

Valdir Antonelli é jornalista com especialização em marketing digital e consumo.

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Fonte Olhar Digital

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