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Adoção de inteligência artificial nas PMEs exige políticas públicas que incentivem, não punam

A inteligência artificial (IA) vem se consolidando como uma das principais ferramentas de produtividade e inovação para o setor empresarial.

Ao contrário do que muitos pensam, não são apenas as grandes corporações que estão investindo em automação e dados preditivos: pequenas e médias empresas (PMEs) brasileiras vêm aderindo, de forma crescente, a soluções de IA para atendimento, gestão de estoque, marketing e tomada de decisão.

Segundo pesquisa recente da Capterra, 47% das PMEs brasileiras afirmam já utilizar ou planejar utilizar ferramentas de inteligência artificial em seus processos diários. A crescente acessibilidade de ferramentas como CRMs com automação, chats inteligentes e plataformas de análise de comportamento vem permitindo que negócios menores ganhem escala com mais eficiência.

Entretanto, esse movimento de modernização esbarra em um novo desafio: a urgência da regulamentação do uso de IA no Brasil. Em tramitação no Congresso, diversos projetos de lei pretendem estabelecer regras para o uso de inteligência artificial em diferentes contextos. O temor de especialistas é que a legislação, se aprovada sem ajustes, acabe gerando barreiras regulatórias que penalizem justamente os pequenos.

Leonardo Rocha de Mendonça, administrador e especialista em transformação digital de pequenos negócios, defende uma abordagem equilibrada e realista: “As PMEs estão usando IA de forma pragmática, para resolver problemas concretos com baixo custo. Se a regulação vier com exigências técnicas e burocráticas muito distantes da realidade do pequeno empreendedor, vamos matar uma oportunidade de produtividade e independência para milhares de empresas”, afirma.

Para Leonardo, é essencial que o Estado olhe para o pequeno empresariado como protagonista da nova economia digital. “Precisamos de políticas públicas que estimulem a inclusão digital das empresas menores, oferecendo capacitação, infraestrutura e regulação responsiva, não punitiva”, completa.

A expectativa do setor é que o Marco Regulatório da Inteligência Artificial, atualmente em debate nas comissões do Senado e da Câmara, considere a heterogeneidade do empresariado brasileiro. Sem isso, o risco é transformar a regulação em uma barreira de entrada para as empresas que mais precisam evoluir tecnologicamente.

Se bem conduzida, a regulação pode ser um vetor de segurança, inclusão e produtividade. E especialistas como Leonardo Rocha de Mendonça estão entre aqueles que defendem que o futuro digital das PMEs deve ser impulsionado com ferramentas, e não com entraves.

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