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Mais ataques no norte de Moçambique agravam acesso humanitário

As províncias moçambicanas de Cabo Delgado, Niassa e Nampula são alvo de ataques por grupos armados não estatais causando o aumento do medo e de violência contínua ligada a operações militares.

Entre 11 e 26 de novembro uma série de incursões provocou um deslocamento de 107 mil pessoas no distrito de Memba. A maioria buscou refúgio nos distritos Mecúfi, na província de Cabo Delgado, e em Eráti e Nacala, na província de Nampula.

Morte e rapto de civis

Ataques repetidos e a ameaça de violência agravam as necessidades por auxílio humanitário. Pelo menos 92 civis foram mortos, dos quais 56 nos distritos de Memba e Eráti, na província de Nampula.

De acordo com dados do Escritório da ONU de Assistência Humanitária, Ocha, em novembro foram reportados 101 incidentes de segurança no norte de Moçambique.

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Cerca de 92 civis foram mortos e outras 87 pessoas foram raptados

Os casos incluem 77 registros de violência e ameaças contra civis que resultaram em mortes, raptos e novas ondas de deslocamento.

Cerca de 87 pessoas foram raptadas, incluindo 19 crianças e 18 mulheres, muitas delas libertadas após alegados pagamentos de resgate.

Os raptos tornaram-se uma tática deliberada usada pelos grupos para financiar operações, criando um clima de medo e insegurança que mina a resiliência comunitária.

Insegurança e restrições de acesso

O Ocha revela que o aumento súbito de ataques exerce enorme pressão sobre comunidades e parceiros, tendo em conta que os atuais canais de abastecimento não chegam para responder à escala das necessidades.

Há relatos de que os serviços sobrecarregados e os recursos limitados pioram a coesão social entre deslocados internos e populações anfitriãs, pois a assistência não chega a todos de forma equitativa.

A agência cita que as restrições de acesso dificultaram de forma significativa a entrega de assistência humanitários a pelo menos 22 mil deslocados internos no distrito de Memba.

Operações militares e a presença desses grupos levaram a restrições temporárias de movimento nas grandes rodovias. Limitações nas estradas R705 e R706, que ligam Eráti e Nacala a Memba, deixam em situação de fragilidade àqueles que não conseguiram deslocar-se por falta de recursos.

A comunidade humanitária aponta um ambiente operacional ainda volátil, com riscos de segurança elevados, e os entraves burocráticos como fatores que comprometem a entrega de ajuda e a segurança das equipes.

Desinformação e violência

No distrito de Chiúre, na província de Cabo Delgado, uma distribuição de alimentos por uma agência da ONU tornou-se violenta quando a polícia interveio para evitar saques, resultando em duas mortes e dois feridos.

Várias ações em nível governamental e exigências de apoio logístico levaram à suspensão de operações em Mecúfi.

A desinformação sobre a cólera desencadeou violência contra profissionais de saúde em Nampula. Membros da comunidade em Memba agrediram uma enfermeira e ameaçaram um líder local acusado de espalhar a doença.

Comunicação de riscos

Os ataques colocam em risco os esforços de saúde pública e destacam a necessidade urgente de reforçar a comunicação de riscos, o envolvimento comunitário e a proteção dos profissionais de saúde.

Os atos de violência no norte de Moçambique começaram na província de Cabo Delgado em 2017 e já deslocaram mais de 1,3 milhão de pessoas.

*Ouri Pota é o correspondente da ONU News em Maputo.



Fonte ONU

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