É difícil lembrar como nos deslocávamos antes do Google Maps e do Waze. Hoje, quase tudo passa por eles. Procuramos um restaurante, planejamos uma viagem, escolhemos um hotel, verificamos o trânsito e até decidimos se vale a pena atravessar a cidade para participar de uma reunião. O mapa se tornou parte da rotina.
O Google anunciou no Brasil uma nova experiência para o Maps. Em vez de digitar algumas palavras e navegar entre vários resultados, será possível fazer perguntas de forma mais natural, como fazemos em uma conversa com outra pessoa.
“Quero um lugar para tomar café e trabalhar.” “Qual o melhor restaurante para ir com crianças?” “O que fazer por aqui em uma tarde de domingo?” “Como faço para chegar ao centro usando ônibus?” A inteligência artificial interpreta essas perguntas e utiliza as informações disponíveis para sugerir lugares, explicar rotas e até ajudar quem utiliza transporte público.
Pode parecer apenas mais uma atualização. Mas há algo mais interessante acontecendo. Durante anos, nós aprendemos a usar as plataformas digitais. Aprendemos quais palavras pesquisar, como interpretar resultados e quais caminhos seguir. Aos poucos, essa lógica está se invertendo. As plataformas começam a entender a forma como nós nos comunicamos.
Em vez de procurar “cafeteria próxima”, alguém pode perguntar onde encontrar um lugar tranquilo para trabalhar. Em vez de pesquisar várias rotas, pode simplesmente pedir a melhor maneira de chegar ao destino. Isso parece um detalhe. Mas não é.
Quando a tecnologia se torna mais simples, ela deixa de chamar atenção para si mesma. E talvez seja esse o maior sinal de maturidade de uma inovação.
Ninguém entra no Google Maps para admirar a tecnologia. As pessoas querem resolver um problema do dia a dia. No fundo, inovação é isso. É tornar as coisas mais simples.
Essa mudança também traz impactos para empresas e cidades. Ter Ferramentas capazes de integrar mobilidade, comércio, lazer e serviços tornam a experiência urbana mais simples. Encontrar um evento, escolher uma rota ou descobrir um novo negócio passa a exigir menos esforço das pessoas. Afinal, se a inteligência artificial será responsável por sugerir lugares e serviços, ter informações atualizadas e uma boa reputação digital passa a ser ainda mais importante. Não basta existir. É preciso ser encontrado. E existe uma dimensão maior nessa história.
Estamos caminhando para uma internet menos baseada em buscas e mais baseada em conversas. Aos poucos, as pessoas deixarão de procurar apenas informações. Elas buscarão recomendações, contexto e ajuda para tomar decisões. É uma mudança silenciosa e profunda. Talvez, daqui a alguns anos, seja estranho pensar que precisávamos digitar palavras-chave para encontrar quase tudo.
Da mesma forma que hoje parece estranho lembrar dos mapas de papel. No fim, o Google Maps continua fazendo a mesma coisa de sempre: ajudar as pessoas a chegar a algum lugar. A diferença é que agora ele quer participar da conversa.
E talvez essa seja uma boa definição para a inteligência artificial que está entrando em nossas vidas. Não uma tecnologia que substitui pessoas. Mas uma tecnologia que, cada vez mais, aprende a falar como elas.
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Fonte UOL
