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Dor, peso e hematomas nas pernas: por que tantas mulheres demoram para procurar ajuda?

Sintomas frequentemente atribuídos ao cansaço, à genética ou ao envelhecimento podem indicar condições como varizes, vasinhos e Lipedema

A sensação de peso nas pernas ao final do dia, o surgimento de vasinhos, os hematomas frequentes e até o aumento do volume dos membros inferiores costumam ser encarados como algo normal por muitas mulheres. Seja pela correria da rotina, pela influência genética ou pelo avanço da idade, esses sinais frequentemente são ignorados ou tratados apenas como uma questão estética. O problema é que essa normalização pode atrasar o diagnóstico de condições que afetam a saúde vascular e a qualidade de vida.

Segundo a cirurgiã vascular Rebeca Higino, uma das situações mais comuns no consultório é atender pacientes que convivem há anos com sintomas sem buscar avaliação especializada.

“Existe uma tendência de minimizar os sinais que aparecem nas pernas. Muitas pessoas acreditam que varizes e vasinhos representam apenas uma questão estética, quando na verdade podem estar associados a alterações da circulação e provocar desconfortos importantes”, explica.

Entre os problemas mais frequentes estão as varizes, caracterizadas pela dilatação das veias, e os vasinhos, pequenos vasos avermelhados ou arroxeados que costumam aparecer principalmente nas pernas. Embora os vasinhos sejam geralmente associados à estética, ambos podem vir acompanhados de sintomas como dor, inchaço, sensação de peso, cansaço e desconforto ao longo do dia.

A especialista ressalta que muitas crenças populares ainda contribuem para a desinformação sobre o tema. Subir escadas, por exemplo, não causa varizes. Pelo contrário: a movimentação da musculatura das pernas auxilia o retorno venoso e favorece a circulação sanguínea. Da mesma forma, não existem evidências científicas de que a depilação com cera quente provoque vasinhos ou que cremes e pomadas sejam capazes de eliminar vasos já existentes.

Outro mito comum envolve o uso de salto alto. Embora sapatos muito altos possam aumentar a sensação de cansaço e desconforto nas pernas, eles não são considerados uma causa direta para o surgimento de varizes.

Além das alterações venosas, uma condição que tem ganhado cada vez mais atenção é o lipedema. A doença afeta predominantemente mulheres e é marcada pelo acúmulo anormal de gordura, principalmente nas pernas e quadris.

“Muitas pacientes chegam ao consultório após anos tentando perder medidas nas pernas sem sucesso. Quando existe dor ao toque, sensação constante de peso, facilidade para desenvolver hematomas e uma desproporção evidente entre tronco e membros inferiores, é importante investigar a possibilidade de lipedema”, afirma Rebeca.

O desafio, segundo a médica, é que os sintomas costumam surgir de forma gradual. Como a evolução acontece ao longo dos anos, muitas pessoas acabam se adaptando aos desconfortos e deixam de procurar ajuda.

“É comum ouvir relatos de pacientes que convivem há cinco, dez ou até mais anos com dores, inchaço ou sensação de peso. Como os sintomas se tornam parte da rotina, muitas vezes eles deixam de ser percebidos como um sinal de que algo precisa ser investigado.”

Alguns sintomas merecem atenção especial, como inchaço frequente, dor recorrente, sensação de pernas cansadas, câimbras, aparecimento progressivo de veias dilatadas, hematomas sem causa aparente e alterações na pele. Nesses casos, a avaliação especializada é fundamental para identificar a origem do problema e indicar o tratamento mais adequado.

A boa notícia é que os avanços da medicina vascular oferecem diferentes opções terapêuticas, indicadas de acordo com o tipo e a gravidade de cada caso. Para os vasinhos, a escleroterapia com espuma é um dos procedimentos mais utilizados: consiste na aplicação de uma substância diretamente no vaso afetado, promovendo seu fechamento sem necessidade de cirurgia convencional. Já para as varizes e a doença da veia safena, técnicas como o endolaser e o laser transdérmico permitem tratar as alterações de forma minimamente invasiva, com recuperação rápida e sem internação.

Independentemente do diagnóstico, a especialista reforça que hábitos saudáveis continuam sendo aliados importantes da saúde vascular. Manter uma rotina ativa, controlar o peso corporal, evitar longos períodos de imobilidade e buscar avaliação médica ao perceber alterações persistentes são atitudes que contribuem para a prevenção e o tratamento precoce.

“Nem toda dor nas pernas está relacionada à circulação e nem todo vaso aparente representa um problema importante. Mas sintomas persistentes nunca devem ser ignorados. Quanto mais cedo identificamos a causa, maiores são as possibilidades de tratamento e de melhora da qualidade de vida”, conclui.

Arquivo pessoal

Rebeca Higino é médica cirurgiã vascular, sócia da Vascularte Moema. Formada em Medicina pela Pontifícia Universidade Católica de Campinas (PUCCAMP), realizou residência médica em Cirurgia Geral pela mesma instituição e residência em Cirurgia Vascular e Endovascular pela Santa Casa de Misericórdia de São Paulo (ISCMSP). Possui Fellowship em Flebologia pelo Instituto Circular, Mestrado em Ciências da Saúde pela Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo (FCMSCSP) e Título de Especialista em Cirurgia Vascular pela AMB/SBACV. Atua com foco em varizes, vasinhos, doença da veia safena e lipedema.

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