
A Comunidade dos Países de Língua Portuguesa, Cplp, deve completar 30 anos de olho no próximo capítulo a ser escrito de sua história. A aposta é do país que ocupa a presidência pro-tempore da organização, Timor Leste.
Em entrevista à ONU News, o embaixador Dionísio Babo Soares, representante timorense junto às Nações Unidas, afirmou que o espaço da lusofonia, nos quatro cantos do globo, é repleto de oportunidades.
Potência econômica
“A Comunidade já consolidou a dimensão política e cultural, como disse. Agora, precisa transformar afinidades históricas em oportunidades de desenvolvimento. Algumas direções estratégicas, eu acho que pode ser importante sublinhar é que há plataformas de negócios em termos de cooperação econômica. Mas têm que ser bem estruturadas. Aproveitar vantagens comparativas com países associados como a Colômbia. Angola possui recursos naturais. Brasil tem uma potência econômica e tecnologia muito avançada. Portugal pode dar entrada para União Europeia. Timor-Leste pode juntar-se com Cplp, Asean ao Indíco-Pacífico.”
Após ter a sua independência restaurada, em 2002, Timor-Leste passou a pertencer à Cplp, elevando para oito o número de membros. A nação do sudeste da Ásia também fez do português língua oficial, e passou a ensinar o idioma de novo nas escolas, após mais de 25 anos de ocupação indonésia.
Português como língua franca
Desde então, Timor-Leste tem sido um dos maiores impulsores do ensino do português em casa e no mundo. Para o embaixador Dionísio Babo Soares, a Cplp deve contar com o apoio dos países associados que veem na língua portuguesa, como idioma estrangeiro, uma mais valia.
“Em termos da disseminação da língua portuguesa, fora da Cplp, claro que ainda temos trabalho dentro da Cplp. Em Timor-Leste e outros países que têm que trabalhar muito para cultivar esta língua. Não só como língua de identidade, mas como língua oficial e língua franca. Mas em termos de disseminação com outros países: ultimamente, Timor-Leste entrou em acordo com uma Universidade da Indonésia, que está do outro lado da ilha, para começar a trabalhar num projeto do ensino da língua portuguesa naquela universidade.”
Jovens estudantes na Universidade Nacional de Timor-Leste
Multilateralismo
A Presidência Pro-Tempore de Timor-Leste na Comunidade dos Países de Língua Portuguesa tem promovido mais esforços nas áreas da educação e da cooperação técnica. Para o embaixador Babo Soares, a comunidade tem muito a oferecer nas esferas da cooperação diplomática e do multilateralismo afirmando-se cada vez mais como um bloco político que faz a diferença.
“A cooperação entre os Estados-membros associados está tornar-se mais robusta. Tanto no plano bilateral como multilateral. Com a orientação da secretária-executiva da Cplp, em Portugal, esta cooperação tende a intensificar-se. Sim, há problemas da língua em relação aos países associados. Mas também têm uma afinidade com a Cplp e por isso querem associar-se. Eu acho que isso é uma vantagem enorme. E os principais eixos que têm se desenvolvido. E Timor-Leste está a apostar durante sua liderança é primeiro na área da educação, e depois da cultura, no patrimônio que é uma área chave da Cplp e depois em outras áreas de desportos e partilha de experiência. E também a cooperação técnico-especializada que podemos falar mais depois.”
Desde a sua fundação, a organização com sede em Lisboa, Portugal, tem desenvolvido programas de trabalho em várias áreas como combate à pobreza, saúde e ação climática, entre outras.
A Cplp foi criada em 17 de julho de 1996 com sete membros fundadores: Angola, Brasil, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Moçambique, Portugal e São Tomé e Príncipe. Em 2002, o Timor-Leste aderiu ao bloco. Já a Guiné-Equatorial passou a integrar a Cplp como membro pleno em 2014 após fazer do português língua oficial do país africano.
*Monica Grayley é editora-chefe da ONU News.
Fonte ONU
