A PGR (Procuradoria-Geral da República) se manifestou ao STF (Supremo Tribunal Federal) de forma favorável à abertura de inquérito para investigar o caso “Dark Horse”, filme sobre a vida do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).
O caso é analisado pelo ministro André Mendonça, responsável por decidir se a Polícia Federal irá investigar o destino de repasse de recursos do ex-banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, sob a justificativa de financiar a obra.
Mendonça havia pedido um parecer ao procurador-geral da República, Paulo Gonet, a partir de uma solicitação da Polícia Federal. O chefe do MPF (Ministério Público Federal) entendeu que há elementos suficientes para pedir a abertura formal de um inquérito que apure os repasses.
Além da PF, o deputado Lindbergh Farias (PT-RJ) havia feito o pedido de investigação ao STF, mas a PGR se manifestou pelo arquivamento da solicitação do parlamentar. Ele tinha acionado o Supremo depois que o site The Intercept Brasil divulgou um áudio em que o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), pré-candidato à presidência da República, pede dinheiro a Vorcaro para bancar o longa-metragem.
No fim de junho, o presidente da corte, Edson Fachin, definiu então que Mendonça deveria ficar como relator do caso.
Ao pedir a investigação, o diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, disse crer que era necessário instaurar um inquérito que apure o envio de recursos do ex-banqueiro Daniel Vorcaro aos EUA sob a justificativa de financiar o filme “Dark Horse”.
Uma das desconfianças é de que esses recursos bancaram despesas do ex-deputado Eduardo Bolsonaro (PL-SP) nos Estados Unidos, onde ele vive desde fevereiro de 2025. A PF também quer saber se eles foram usados para outras ações de aliados do ex-presidente Jair Bolsonaro junto ao governo Donald Trump.
“Há necessidade de instaurar um inquérito para apurar todas essas circunstâncias que permeiam esses episódios”, disse o diretor-geral, em entrevista à GloboNews, em junho.
Os recursos teriam sido transferidos pela Entre Investimentos e Participações, que tem ligações com Vorcaro, a um fundo controlado por aliados de Eduardo e sediado no Texas, nos EUA.
Quando foi revelado, pelo site Intercept Brasil, o financiamento do filme Dark Horse com recursos de Vorcaro, Flávio Bolsonaro disse em nota que era “falsa a insinuação de que recursos tenham sido destinados a Eduardo Bolsonaro”.
“Os aportes foram direcionados a um fundo específico da produção, com estrutura jurídica própria e fiscalização nos Estados Unidos.”
A PF pretende entender se os recursos —que teriam sido enviados a pedido do dono do Master— foram, de fato, usados para financiar o filme ou se uma parte serviu para custear a vida de Eduardo no país, para onde ele se mudou alegando perseguição de Alexandre de Moraes. O ex-parlamentar já se queixou de contas bancárias bloqueadas inclusive de sua mulher.
Eduardo foi para os EUA no ano passado. Ele é réu no STF em uma ação sob acusação do crime de coação, que tem a relatoria de Alexandre de Moraes.
Fonte UOL
