A Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LBD), bem como as Diretrizes Curriculares e a Base Nacional Comum Curricular (BNNC) asseguram a valorização da pluralidade e diversidade cultural, de forma a resgatar e respeitar os direitos humanos, individuais e coletivos, além das várias manifestações culturais.
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Com a volta às aulas, a integração da diversidade cultural nos currículos escolares é uma possibilidade viável para uma formação completa do cidadão. Anny Carneiro Santos, assessora pedagógica da Rede Pitágoras, defende que uma formação centrada no multiculturalismo assegura o combate a preconceitos enraizados no país.
“Historicamente, o Brasil constituiu-se pelo pluralismo, seja nativo ou fruto dos processos migratórios. Conhecer a história como realmente é, compreender que nos municípios existem indígenas, ciganos, pescadores, ribeirinhos, quilombolas e outros que compõem os Povos e Comunidades Tradicionais, é um ponto-chave para promover o respeito e aprender a conviver democraticamente com a diversidade brasileira”.
Para alcançar uma abordagem de respeito e empatia, que favoreça a construção de uma sociedade mais justa e democrática, Anny destaca a importância da formação completa de professores. Segundo a especialista, essa é uma das principais políticas públicas para o fortalecimento da qualidade da Educação Básica no Brasil.
A capacitação continuada atua como uma política de fortalecimento das práticas pedagógicas, no contexto de pluralidade cultural. Bem como oferece subsídios teóricos e práticos para fortalecer a autoformação do docente.
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Crédito: Divulgação
Como aplicar a diversidade cultural?
É possível aplicar a diversidade cultural em temáticas de diferentes componentes curriculares. Anny explica que é possível abordar a história africana e afro-brasileira em qualquer etapa escolar, exemplificando com a contribuição que antigos povos africanos tiveram para o desenvolvimento e uso da matemática.
A especialista ainda aponta que, por meio de componentes curriculares das Ciências Humanas, é possível abordar a diversidade cultural de formas mais claras e conscientes, a fim de promover um trabalho transversal e antirracista.
Ela exemplifica que colocar povos originários em destaque em períodos históricos brasileiros em que comumente são apagados é uma estratégia de romper perspectivas eurocêntricas e reinterpretar narrativas históricas. Nessa linha, Anny lembra que, durante a produção açucareira, povos indígenas foram os primeiros escravizados, antes de trazerem africanos pelo tráfico intercontinental.
Além disso, o trabalho da leitura crítica por meio de imagens, aplicado nas aulas de Língua Portuguesa, apresenta diferentes áreas do conhecimento, bem como contextos sociais diversos, problematizando o preconceito e racismo estrutural.
Estratégias que aproximam estudantes de visões decoloniais das áreas de conhecimento são alternativas para que a temática passe a ser tratada como elemento estruturante da formação humana.
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5 atividades para trabalhar a diversidade cultural em sala de aula
Veja as cinco atividades que Anny indica para serem realizadas com o intuito de trabalhar a diversidade cultural em sala de aula:
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Misture o lúdico com a história: utilize jogos da cultura africana para trabalhar em práticas de alfabetização matemática, por exemplo. Reforce o contexto histórico de maneira criativa, favorecendo a valorização deste povo;
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Aposte em diferentes obras literárias: trabalhe as literaturas de autores indígenas e negros nas escolas, transformando a formação eurocentrista em algo plural;
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Use a arte como ferramenta: ofereça oficinas de artifícios e visuais com a participação de pessoas indígenas e negras, mesmo que de forma virtual ou apenas com conhecimento das artes pelos professores;
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Promova momentos de trocas: promova rodas de conversa sobre a temática. É uma opção de aproximar a escola, tirar dúvidas e promover conscientização;
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Faça vivências dentro e fora da escola: visite diferentes comunidades e povos ou ofereça essa imersão dentro de sala de aula.
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Por Jade Vieira
Jornalista
Fonte UOL
