InícioDireitos HumanosRelatores dizem que execuções...

Relatores dizem que execuções sumárias ampliam repressão política no Irã

Diante do aumento do número de execuções e condenações à pena de morte, no Irã, um grupo de relatores de direitos humanos* está soando o alerta a respeito de violações cometidas no país. 

O Alto Comissariado das Nações Unidas para os Direitos Humanos está recebendo várias denúncias e alegações, que foram enviadas também a organizações como a Anistia Internacional. 

Preso aos 18 anos

Os relatos indicam que autoridades iranianas têm utilizado a pena de morte para punir manifestantes, sufocar a dissidência política e amedrontar civis.

Um dos casos é o de Shervin Bagherian Jebeli, que fez 18 anos de idade, poucos dias antes de ser preso. Pelas alegações, ele teria sido privado de liberdade por 21 dias e torturado até que sua confissão forçada fosse transmitida pela televisão estatal antes mesmo do julgamento.

Erfan Amiri, Mansour Jafari e Matin Mohammadi são menores de idade e estão sob custódia, sob risco de execução. Apenas na província de Isfahan, mais de 70 manifestantes presos por causa dos protestos do início deste ano, teriam sido sentenciados à morte.

Conflitos e protestos

O alto comissário da ONU para os Direitos Humanos, Volker Türk, manifestou preocupação com o aumento das execuções no país, que além de conflitos com os Estados Unidos e Israel, vem enfrentando protestos desde o início do ano. Ele lembra que a pena de morte é incompatível com a dignidade humana. 

Desde o início dos protestos, aumentou o número de prisões arbitrárias, desaparecimentos forçados e denúncias de tortura a minorias étnicas. 

Nesse período, 24 pessoas da etnia balúchi e 22 curdas foram executadas sob acusações de “inimizade contra Deus” e “corrupção na Terra”. 

Segundo os especialistas, minorias que divergem da religião oficial do Estado são classificadas como ameaças à segurança nacional e alvos de leis antiterrorismo.

Repressão interna 

O aumento da violência estatal ocorre no momento em que o país enfrenta conflitos militares.

Os especialistas da ONU alertam que a população se encontra encurralada entre os ataques armados externos e a violência do próprio governo.

As autoridades iranianas usam o pretexto da segurança nacional para promover o controle absoluto e acelerar a repressão interna. 

A diretora regional da Anistia Internacional para o Oriente Médio e Norte da África, Heba Morayef, afirmou que a resposta tímida da comunidade internacional encoraja o regime a prosseguir com as execuções, e defendeu que os Estados-Membros da ONU pressionem o Irã a adotar medidas imediatas.

*Relatores especiais de direitos humanos são independentes da ONU e não recebem salário pelo seu trabalho.



Fonte ONU

Popular

DEIXE UMA RESPOSTA

Por favor digite seu comentário!
Por favor, digite seu nome aqui

Leia mais

Medicamento mensal promete revolucionar prevenção ao HIV no mundo

Em fase final de testes clínicos, uma nova alternativa promissora de...

Padtec fecha acordo com a argentina Datco para reforçar suas vendas na América Latina

A Padtec fechou um acordo estratégico com o Grupo Datco, da...

Microsoft planeja revelar chip para IA Maia 300 ainda em 2026

A Microsoft planeja revelar o novo chip Maia 300 AI entre...