Relato de Sérgio Zagarino sobre restrições a campanhas em comunidades retoma debate nacional sobre crime organizado e liberdade eleitoral.
“O controle territorial do crime também pode se transformar em controle político”.
A afirmação de Sérgio Zagarino de que candidatos de direita estão sendo impedidos de fazer campanha em algumas comunidades recolocou no debate eleitoral um problema conhecido no Brasil: a interferência de grupos criminosos na circulação de candidatos e no acesso dos moradores a diferentes propostas.
Candidato a deputado estadual pelo Republicanos, Zagarino falou sobre o assunto durante o programa Falando a Verdade. Segundo ele, sua campanha e as de outros candidatos da direita teriam recebido ordens para não entrar em determinados territórios.
“Isso ultrapassa qualquer disputa entre candidatos. Quando o crime interfere no direito de fazer campanha e limita a liberdade de escolha dos moradores, é a própria democracia que está sendo ameaçada”, declarou.
O vídeo não informa quais favelas ou comunidades teriam imposto a restrição, nem identifica organizações criminosas. Os exemplos históricos apresentados a seguir não comprovam o episódio relatado por Zagarino, mas mostram que o controle territorial de campanhas já motivou investigações e operações de segurança em eleições anteriores.
Casos registrados em eleições anteriores
Em 2008, militares das Forças Armadas foram mobilizados para garantir a campanha eleitoral em comunidades do Rio de Janeiro sob suspeita de coação. Reportagem do Correio Braziliense registrou a presença das tropas em áreas como Rio das Pedras, Gardênia Azul, Cidade de Deus, Vila do João e Conjunto Esperança. A operação abrangia 27 comunidades listadas pelo Tribunal Regional Eleitoral.
Em 2014, um relatório da Secretaria de Segurança Pública do Rio de Janeiro entregue à Justiça Eleitoral apontou 41 áreas de risco no estado. Segundo reportagem da Record, o documento incluía comunidades dominadas por milicianos e pelo tráfico, e candidatos relataram impedimentos para realizar campanha.
Dez anos depois, em 2024, o tema voltou a ser investigado. Autoridades federais informaram à Folha de S.Paulo que havia apurações sobre coação eleitoral e candidatos impedidos de fazer campanha. Promotores ouvidos pela reportagem descreveram casos em que uma candidatura recebe autorização para circular enquanto concorrentes são mantidos fora do território.
Justiça Eleitoral reforçou resposta ao crime organizado
O Tribunal Superior Eleitoral consolidou em 2025 o entendimento de que a Constituição proíbe a interferência direta ou indireta de organizações criminosas no processo eleitoral. A decisão tratou do vínculo de candidatos com grupos paramilitares, mas a tese também evidencia que a liberdade do voto não pode conviver com controle político exercido pela força.
Para as Eleições 2026, o TRE-RJ instalou um gabinete extraordinário de segurança. O grupo reúne Justiça Eleitoral, Ministério Público, Polícia Federal, forças estaduais e outras instituições para prevenir ilícitos e reduzir os riscos criados pelo domínio territorial de grupos criminosos.
Da segurança municipal à candidatura estadual
Sérgio Zagarino foi secretário-adjunto de Defesa e Convivência Social de Guarujá. Documento da Câmara Municipal registra sua atuação no cargo em 2025. Na administração, a pasta responde por políticas de defesa social e pela integração de ações municipais de segurança.
A candidatura de Zagarino a deputado estadual foi confirmada pelo Republicanos em agosto. Ele disputa uma vaga na Assembleia Legislativa de São Paulo com base política em Guarujá e discurso direcionado à representação da Baixada Santista.
Apoio de Guilherme Derrite
Na última semana, Guilherme Derrite declarou apoio a Sérgio Zagarino. Em vídeo, o candidato ao Senado lembrou a atuação do aliado na segurança pública municipal e o apresentou como seu candidato a deputado estadual para representar a Baixada Santista na Alesp.
O apoio aproxima duas candidaturas que colocam o combate ao crime organizado no centro do discurso eleitoral. Ao divulgar sua fala no programa Falando a Verdade, Zagarino defendeu que qualquer tentativa de impedir campanhas seja tratada como ameaça ao direito dos moradores e à legitimidade das eleições.
Assista ao vídeo: O crime está decidindo quem pode fazer campanha nas comunidades? | Sérgio Zagarino
