Inflação dos alimentos mantém tendência de queda em agosto – 02/09/2026 – Vaivém

A inflação dos alimentos teve a 11º queda semanal em São Paulo, com a taxa ficando em 0,18% em agosto. Das dez principais retrações de preços no Índice de Preços ao Consumidor, seis são do setor agrícola, segundo pesquisa da Fipe (Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas).

O comportamento dos preços no varejo seguem a tendência de queda no campo. Itens básicos como feijão, ovos, café, batata, cebola, tomate e alface tiveram oferta maior no mercado, com consequente redução de preço.

As principais quedas vieram dos produtos “in natura”. O clima mais favorável à produção e o calor intenso, forçando a antecipação da colheita, provocam a retração dos preços no setor. O preço do tomate caiu 10% no mês passado no varejo; o da batata, 21%; o da cebola, 13%, e o da altace, 8%.

O café, depois da explosão de alta nos anos anteriores, mantém tendência de queda no varejo. No campo, a saca do arábica recuou de R$ 2.180, no início deste ano, para R$ 1.480 em junho. Preocupações com seca e o El Niño fizeram o valor da saca subir para R$ 1.771 no mês passado, segundo o Cepea (Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada).

O feijão, que começou 2026 com pressão de alta, está em queda no varejo, devido à maior oferta da leguminosa na safra recente. Em agosto, o quilo de feijão caiu 5% nos supermercados, mas ainda acumula alta de 37% no ano, devido aos aumentos do início do ano.

Alguns produtos, no entanto, caminham em direção contrária. É o caso do arroz, que, em queda desde a primeira quadrissemana de junho, voltou a subir. A alta é reflexo dos preços pagos aos produtores, uma vez que a saca do cereal, que iniciou o ano em R$ 53, foi negociada a R$ 76 no mês passado no Rio Grande do Sul, segundo o Cepea.

A elevação deve persistir porque os preços deste mês já atingem R$ 80 por saca no campo. O setor entra no período de entressafra, e os produtores não estão muito animados em aumentar a área plantada, devido a dificuldades financeiras e elevado custo de produção.

A carne bovina, apesar de previsões de possível queda com a imposição de cota pela China, mantém tendência de alta. A forte demanda pelas exportações nos meses recentes, devido a antecipações de compras pelos chineses, europeus e retorno à normalidade do mercado americano, puxou os preços pagos aos pecuaristas. Negociada a R$ 321 em janeiro, a arroba chegou a R$ 363 em abril e está em R$ 346. Nos supermercados, a alta foi de 0,91% no mês passado, acumulando 9% de janeiro a agosto.

O leite também voltou a subir e, com os 2% de agosto, já acumula alta de 25% para os consumidores neste ano. Esse aumento é reflexo da elevação de 33% nos preços pagos aos produtores durante o primeiro semestre do ano.

O comportamento dos preços nos próximos meses vai depender do clima e da resposta dos produtores neste segundo semestre. O El Niño preocupa, e as alterações no período de chuvas nas diversas regiões do país deixam boa parte dos produtores com dúvidas sobre o quê e quanto plantar. Uma eventual alta dos preços, devido a essas incertezas, pode garantir uma normalidade na área semeada na safra 2026/27, mas os riscos são grandes.

O troco O presidente da CNA, João Martins, pediu ao Ministério da Agricultura que avalie os padrões de qualidade e classificação do azeite de oliva importado pelo Brasil, conforme os padrões exigidos no mercado interno. Neste ano, o país já importou o equivalente a US$ 400 milhões desse produto, e a União Europeia é a principal fornecedora.

Antimicrobianos O presidente da entidade quer, ainda, que o Brasil acione o Mecanismo de Reequilíbrio de Concessões previsto no acordo com a União Europeia, devido às barrerias de importação impostas às carnes brasileiras a partir desta quinta-feira (3).

Taxa das blusinhas Um dos líderes na produção e exportação mundial de algodão, o Brasil consome cada vez mais fibra sintética. Há 10 anos, 42% do consumo de fibras têxteis eram de algodão. No ano passado, caiu para 26%. Nos Estados Unidos, a taxa permanece em 50% na última década.

Taxa das blusinhas 2 Para a Abrapa (Associação Brasileira dos Produtores de Algodão), a liberação de imposto federal nas compras de até US$ 50 implica em uma importação ainda maior de fibras sintéticas, com consequência sobre o meio ambiente, e aumento de micro e nanoplásticos no país.

Taxa das blusinhas 3 Na avaliação da entidade, o Brasil precisa da adoção de políticas públicas e iniciativas que reduzam a geração de resíduos plásticos e a exposição da população aos microplásticos e nanoplásticos.


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Fonte UOL

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