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A vantagem de não pertencer completamente

Existe uma liberdade particular em não pertencer inteiramente a um único campo.

Quem circula entre áreas diferentes aprende a perceber padrões que, dentro de cada especialidade, costumam parecer naturais demais para serem questionados.

O comercial enxerga de um jeito.

Finanças, de outro.

Operações, de outro.

Tecnologia, de outro.

Cada campo desenvolve sua própria linguagem, seus próprios critérios de relevância e suas próprias formas de explicar o mundo.

Isso é necessário.

Mas também cria fronteiras.

Com o tempo, passamos a perceber apenas aquilo que nosso repertório nos ensinou a procurar.

É nesse ponto que a circulação ganha valor.

Quem atravessa mercados, disciplinas e contextos carrega perguntas de um lugar para outro.

Leva conceitos de tecnologia para a gestão.

Lógicas de varejo para o agronegócio.

Princípios de design para processos.

Estruturas de engenharia para problemas organizacionais.

Não para misturar tudo indiscriminadamente.

Mas para perceber que muitas fronteiras existem mais na linguagem do que nos problemas.

O Executivo Nexialista habita justamente esse espaço.

Ele não precisa abandonar a profundidade.

Mas também não aceita que a profundidade de uma especialidade se transforme em limite de visão.

Há uma diferença importante entre não pertencer e não compreender.

Não pertencer completamente pode significar apenas conservar mobilidade intelectual.

Continuar fazendo perguntas que alguém totalmente imerso naquele ambiente talvez já tenha deixado de fazer.

Continuar estranhando aquilo que todos passaram a considerar normal.

Continuar reconhecendo semelhanças onde os outros enxergam apenas diferenças.

Essa posição tem um custo.

Quem atravessa fronteiras raramente cabe com facilidade em uma única definição.

Pode parecer generalista demais para os especialistas.

Especializado demais para os generalistas.

Mas é justamente nessa zona intermediária que algumas conexões se tornam possíveis.

Conhecimento profundo resolve muitos problemas.

Conhecimento conectado revela outros.

Há momentos em que avançar exige mergulhar ainda mais fundo em um campo.

Em outros, exige sair dele por alguns instantes.

Porque algumas respostas só aparecem quando olhamos para um problema sem carregar completamente as fronteiras de quem aprendeu a enxergá-lo sempre do mesmo lugar.

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