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Ensino superior em Timor-Leste terá pela primeira vez um curso de história

Timor-Leste está prestes a ter seu primeiro Departamento Acadêmico de História, marcando um passo significativo para fortalecer a forma como o país ensina, pesquisa e preserva seu próprio passado.

Em fevereiro, o Ministério do Ensino Superior, Ciência e Cultura aprovou a criação do novo departamento sob a égide da Faculdade de Filosofia e Ciências Humanas da Universidade Nacional de Timor-Leste.

Rigor e honestidade

A reitora da Faculdade, madre Esmeralda Piedade, disse que o objetivo é honrar o passado da nação formando futuros educadores e garantir que a história do país de língua portuguesa, no sudeste da Ásia, “seja contada com o rigor e a honestidade que merece”.

Timor-Leste foi colonizado por mais de quatro décadas por Portugal, e depois ocupado pela Indonésia, a nação vizinha. A longa luta pela restauração da independência culminou em um referendo organizado pela ONU em 1999, que garantiu o caminho para a autodeterminação dos timorenses, três anos depois. 

Desde 2002, a educação em história tem sido reconhecida como essencial, não apenas para a identidade nacional, mas também para a reconciliação, direitos humanos e construção de uma cultura de paz.

No entanto, até agora, nenhuma universidade timorense oferecia um programa acadêmico dedicado a essa disciplina. Professores ensinaram História sem treinamento especializado e pesquisadores trabalharam sem instituições de residência.

ONU/Michele Zaccheo
Pessoas em Timor-Leste observam a votação durante o referendo de agosto de 1999

Dois caminhos acadêmicos

A criação do novo departamento resolve essa lacuna no ensino superior, oferecendo dois caminhos acadêmicos. A primeira opção será Educação em História, preparando futuros professores para escolas em todo o país. 

A segunda é Gestão Cultural e do Patrimônio, construindo expertise nacional na preservação e promoção da cultura timorense.

A pedido de parceiros nacionais, a Organização das Nações Unidas para Educação Ciência e Cultura, Unesco, ofereceu suporte técnico para moldar o desenvolvimento do novo departamento.

A representante da agência no país, Maki Katsuno, disse que as universidades “são onde as sociedades se reúnem para documentar e preservar sistematicamente seu passado e imaginar o futuro”. 

Primeira turma

Ela afirmou que a Unesco tem orgulho de apoiar a Universidade Nacional de Timor-Leste, a única instituição pública de ensino superior do país, na construção de um Departamento de História que atuará com “um profundo compromisso com o povo de Timor-Leste”.

Espera-se que o Departamento receba sua primeira turma de estudantes no ano letivo de 2027. 

O plano estratégico, que será finalizado até junho de 2026, estabelece a visão do departamento, o currículo, a agenda de pesquisa, o caminho de desenvolvimento do corpo docente e as parcerias institucionais para seus primeiros cinco anos.



Fonte ONU

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