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RED-S: a síndrome silenciosa que compromete a saúde e o desempenho de atletas

Especialista alerta para os riscos da Deficiência Relativa de Energia no Esporte, condição que afeta o metabolismo, os hormônios, a saúde óssea e a performance física

A busca por melhores resultados esportivos costuma estar associada a treinos intensos, disciplina e controle alimentar. No entanto, quando o equilíbrio entre gasto energético e consumo de calorias é comprometido, atletas podem desenvolver uma condição capaz de afetar não apenas a performance, mas também diversos sistemas do organismo. Trata-se da Deficiência Relativa de Energia no Esporte (RED-S), tema abordado pelo profissional de Educação Física e especialista em performance humana Rodrigo Rezende em seu mais recente guia sobre saúde esportiva.

Segundo o especialista, a RED-S ocorre quando o organismo passa a receber menos energia do que necessita para atender às demandas do treinamento, da recuperação muscular e das funções fisiológicas essenciais. Nessa situação, o corpo entra em um estado de adaptação metabólica, priorizando processos vitais e reduzindo recursos destinados a outras funções importantes.

Quando o corpo entra em déficit energético

A condição é caracterizada pela chamada disponibilidade energética inadequada. Em outras palavras, após descontar a energia utilizada nos treinos, as calorias restantes tornam-se insuficientes para manter o funcionamento adequado do metabolismo, do sistema imunológico, da saúde hormonal e da estrutura óssea.

Entre os fatores que podem desencadear o problema estão dietas excessivamente restritivas, aumento exagerado da carga de treinamento sem compensação nutricional adequada e pressões estéticas frequentemente observadas em modalidades esportivas que valorizam baixo percentual de gordura corporal ou categorias de peso específicas.

De acordo com Rodrigo Rezende, a RED-S pode atingir desde praticantes recreativos até atletas de alto rendimento, afetando homens e mulheres de diferentes faixas etárias.

Impactos que vão além da performance

Os efeitos da deficiência energética são amplos e atingem diversos sistemas do organismo. No campo hormonal, mulheres podem apresentar alterações no ciclo menstrual e até amenorreia, enquanto homens podem sofrer redução significativa nos níveis de testosterona.

O metabolismo também é afetado. Como mecanismo de sobrevivência, o organismo reduz sua taxa metabólica basal, dificultando o controle do peso corporal e comprometendo processos de recuperação e adaptação ao treinamento.

Outro impacto importante ocorre sobre a saúde óssea. A queda dos hormônios sexuais favorece a perda de densidade mineral óssea, aumentando o risco de fraturas por estresse e outras lesões relacionadas à prática esportiva. A longo prazo, também podem surgir complicações cardiovasculares.

Além disso, a RED-S pode enfraquecer o sistema imunológico, aumentar a frequência de infecções e provocar sintomas como fadiga persistente, irritabilidade, dificuldade de concentração, ansiedade e alterações de humor.

Os sinais de alerta

Um dos maiores desafios é que os primeiros sintomas costumam ser discretos e frequentemente confundidos com o desgaste natural da rotina esportiva.

Entre os principais sinais de atenção estão:

  • Fadiga constante que não melhora com o descanso;
  • Queda progressiva do rendimento nos treinos;
  • Dificuldade para ganhar massa muscular;
  • Problemas para manter o peso corporal;
  • Alterações hormonais, incluindo irregularidades menstruais e redução da libido.

Para Rodrigo Rezende, reconhecer esses sintomas precocemente é fundamental para evitar prejuízos mais graves à saúde e ao desempenho esportivo.

A importância do acompanhamento multidisciplinar

O tratamento da RED-S exige uma abordagem integrada envolvendo profissionais de Educação Física, nutricionistas, médicos e psicólogos. O primeiro passo costuma ser uma avaliação completa do estado metabólico e hormonal do atleta, incluindo exames laboratoriais e análise da composição corporal.

A partir desse diagnóstico, é realizado um ajuste nutricional individualizado, com foco na recuperação da disponibilidade energética adequada, além da correção de possíveis deficiências nutricionais e da reorganização das cargas de treinamento.

Prevenção é o melhor caminho

Embora o tratamento seja possível, especialistas reforçam que a prevenção continua sendo a estratégia mais eficiente.

Manter uma alimentação compatível com a demanda dos treinos, respeitar períodos de recuperação, monitorar indicadores de fadiga e realizar avaliações periódicas são medidas essenciais para garantir longevidade esportiva e preservar a saúde.

Como destaca Rodrigo Rezende, desempenho e saúde devem caminhar juntos. Ignorar os sinais de deficiência energética pode comprometer anos de preparação e trazer consequências duradouras para o organismo.

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Rodrigo Rezende é profissional de Educação Física (CREF 011394-G/MS), American Fitness Trainer e Coach Nutrition, com mais de 20 anos de atuação nas áreas de treinamento físico, emagrecimento, hipertrofia, nutrição aplicada e performance humana. Especialista em Biomecânica, Fisiologia do Exercício, Nutrição Esportiva e Metabolismo, é criador da Dieta Ondulatória, protocolo voltado ao emagrecimento sustentável e à saúde hormonal. Também é fundador do Workout 365 Gym e do Studio PrimeFit 365, unindo prática clínica, pesquisa e inovação tecnológica voltadas à transformação física com responsabilidade.

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