Edmilson Mendes afirma que episódios se intensificaram após reportagens e críticas à gestão municipal; ocorrência registrada em 7 de setembro passou a ser acompanhada por sua defesa
O que começou com críticas públicas e reportagens sobre a administração de Barcarena, no Pará, transformou-se, segundo o jornalista Edmilson Mendes, em uma rotina de pressão que hoje ultrapassa os limites do exercício profissional.
Conhecido na cidade pela atuação no jornalismo e pela circulação no meio político local, Mendes afirma que vem enfrentando uma sucessão de episódios que considera uma tentativa de constrangê-lo e enfraquecer sua atuação pública. Para ele, a situação ganhou contornos ainda mais graves nos últimos meses e chegou a um ponto crítico no dia 7 de setembro.
Naquela data, o jornalista foi conduzido à delegacia após uma acusação de importunação sexual. O episódio deu origem a um auto de prisão em flagrante e passou à esfera judicial. Desde então, o caso vem sendo acompanhado por seus advogados.
Mendes contesta o contexto em que a acusação ocorreu e afirma enxergar o episódio dentro de uma sequência de pressões que, segundo ele, começaram após críticas feitas à administração municipal e a agentes políticos de Barcarena.
“Não estou tratando isso como um fato isolado. Existe uma sequência de acontecimentos e é justamente por isso que decidi tornar público o que estou vivendo”, afirma o jornalista.
Os documentos apresentados por Mendes confirmam a existência do auto de prisão em flagrante e de decisão judicial relacionada à análise de sua situação após a detenção. O procedimento, no entanto, ainda não permite estabelecer uma conclusão definitiva sobre o mérito da acusação. A defesa do jornalista acompanha o caso pelas vias legais.
“Não vou deixar de fazer jornalismo”
Ao falar sobre o que vem enfrentando, Edmilson diz que sua maior preocupação não está apenas nas consequências pessoais do episódio. Para ele, o caso levanta uma discussão maior sobre as condições enfrentadas por quem fiscaliza, denuncia e confronta interesses políticos em cidades do interior.
O jornalista sustenta que o ambiente de pressão não atingiria apenas sua atuação e afirma ter conhecimento de relatos semelhantes envolvendo outras pessoas da cidade. Essas declarações fazem parte de seu relato e, segundo Mendes, são uma das razões pelas quais ele considera necessário chamar a atenção pública para o que está acontecendo em Barcarena.
Suas críticas têm como principal alvo político a administração do prefeito José Renato Ogawa Rodrigues. Mendes afirma que continuará questionando atos do poder público e acompanhando assuntos de interesse da população, apesar dos episódios recentes.
“Não vou deixar de fazer jornalismo porque isso incomoda alguém. Se existe algo errado, precisa ser mostrado. O que eu quero é poder trabalhar e ter a segurança de que os fatos serão apurados com seriedade”, declara.
Mendes também pede que autoridades e entidades ligadas à defesa da liberdade de imprensa acompanhem o caso. Para ele, tornar pública a situação é uma forma de proteção e, ao mesmo tempo, de chamar atenção para os limites que não podem ser ultrapassados na relação entre agentes públicos e profissionais responsáveis por fiscalizar o poder.
O jornalista afirma que seguirá colaborando com as autoridades e adotando, por meio de seus advogados, as medidas jurídicas relacionadas ao episódio de 7 de setembro.
Enquanto a questão segue sendo tratada judicialmente, Edmilson diz que pretende continuar trabalhando.
“Eu não quero privilégio. Quero que os fatos sejam apurados e que eu possa exercer minha profissão sem medo”, conclui.
