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Crescer ou lucrar? O dilema que está redefinindo o varejo em 2026

Pressão por rentabilidade faz empresas reverem estratégias e priorizarem eficiência operacional em vez de expansão acelerada

Durante anos, o varejo foi impulsionado por uma lógica clara: crescer a qualquer custo. Expansão acelerada, aquisição agressiva de clientes e investimentos constantes em tecnologia marcaram um ciclo onde o volume era o principal indicador de sucesso. Em 2026, no entanto, esse modelo começa a mostrar sinais evidentes de esgotamento.

O cenário atual é outro. Pressão crescente sobre custos, consumidores mais sensíveis a preço e um ambiente altamente competitivo estão forçando empresas a revisarem suas prioridades. O foco agora deixa de ser exclusivamente o crescimento e passa a incorporar, de forma mais rigorosa, a rentabilidade.

A mudança não é apenas conceitual, ela é prática e urgente. Indicadores como margem de contribuição, giro de estoque, CAC (Custo de Aquisição de Cliente), LTV (Lifetime Value) e produtividade por ponto de venda ganham protagonismo nas decisões estratégicas. O que antes era analisado como suporte, hoje passa a ser determinante para a sobrevivência e sustentabilidade dos negócios.

Nesse novo contexto, estratégias que durante anos foram amplamente utilizadas começam a ser questionadas. Descontos agressivos, campanhas voltadas apenas para volume e expansões desordenadas perdem espaço para modelos mais disciplinados, orientados por dados e com foco em execução precisa.

A lógica mudou: não basta vender mais, é preciso capturar melhor valor em cada venda.

Empresas que antes comemoravam crescimento acelerado sem olhar para a qualidade da receita agora enfrentam margens comprimidas e operações pouco eficientes. Isso tem levado líderes a repensarem desde a precificação até a estrutura de custos, passando por decisões mais estratégicas sobre canais de venda, mix de produtos e posicionamento de marca.

Outro ponto relevante é a maturidade do consumidor. Mais informado e seletivo, ele exige valor real, seja em preço, experiência ou entrega. Isso obriga o varejo a sair da guerra puramente comercial e entrar em uma disputa mais sofisticada, onde eficiência operacional e percepção de valor caminham juntas.

Para os líderes, o desafio passa a ser o equilíbrio. Crescer continua sendo importante, mas não a qualquer custo. A disciplina na gestão, o controle de indicadores e a capacidade de executar bem no detalhe tornam-se diferenciais competitivos reais.

O varejo de 2026 não será liderado por quem simplesmente vende mais, mas por quem consegue transformar cada venda em resultado consistente.

Paulo Brenha

Paulo Brenha é executivo de varejo e Customer Experience, com mais de 15 anos de atuação em grandes empresas de consumo e serviços. Diretor Comercial, LinkedIn Top Voice e uma das vozes mais influentes do Brasil em CX, Varejo e Comunicação, atua na interseção entre estratégia, vendas, experiência do cliente e desenvolvimento de pessoas, ajudando organizações a crescerem com propósito e resultado.

Com sólida formação acadêmica, incluindo programas na Fundação Dom Cabral, Harvard, MIT, FGV, FIA, PUCRS e especializações em Neuromarketing, Neuroeconomia e comportamento do consumidor pelo IBN, Paulo é reconhecido por transformar estratégia em execução prática, liderar times de alta performance e gerar impacto sustentável nos negócios.

Autor, palestrante e criador de conteúdos estratégicos, compartilha reflexões sobre liderança, varejo, inovação e performance comercial, sempre com foco em pessoas, consistência e geração de valor no longo prazo.

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