
A Organização Mundial da Saúde, OMS, divulgou um relatório sobre o progresso das Estratégias do Setor de Saúde Global sobre HIV, hepatite viral e infecções sexualmente transmissíveis, ISTs.
Lançado durante a 26ª Conferência Internacional sobre Aids e o Dia Mundial da Hepatite, no Rio de Janeiro, o estudo destaca as conquistas e os desafios na resposta global a essas epidemias.
O que tem sido feito
Os países lusófonos enfrentam desafios comuns e específicos para alcançar as metas de eliminação até 2030. Brasil e Portugal avançaram em ampliar o acesso a antirretrovirais, mas ainda precisam expandir a cobertura vacinal de HPV e hepatite C. O estudo ressalta a eliminação da transmissão vertical de HIV, meta alcançada pelo Brasil em 2025.
Já Angola, Moçambique, Guiné-Bissau e Cabo Verde têm como prioridade aumentar a vacinação contra hepatite B e reduzir a transmissão vertical de HIV e sífilis, além de fortalecer sistemas de vigilância digital.
Os avanços: queda nas infecções e expansão do tratamento
De acordo com o relatório, no ano passado houve queda de 42% no número novas pessoas infectadas por HIV em relação à 2010. O número de mortes relacionadas à Aids caiu 57%, totalizando 570 mil óbitos em 2025.
Cerca de 32 milhões de pessoas vivendo com HIV estavam em terapia antirretroviral nesse período, impulsionando metas globais de testagem e supressão viral.
No cenário das hepatites virais, as infecções anuais caíram 32% globalmente desde 2015, refletindo o aumento na cobertura da vacinação infantil, que alcançou 84% em 2024.
Tratamento de pacientes com hepatite no Chile
Os desafios e alertas
Apesar do otimismo em relação às métricas, o mundo não está no caminho certo para erradicar o HIV, as hepatites virais e as ISTs como ameaças à saúde pública até 2030, segundo a OMS.
Em 2025, a Ajuda Oficial ao Desenvolvimento global sofreu cortes de doadores bilaterais e multilaterais, como os Estados Unidos e países europeus. O Fundo Global arrecadou US$ 12,6 bilhões para o ciclo 2026-2028, abaixo da meta de US$ 18 bilhões.
Pesquisas da OMS revelam que, embora o fornecimento de tratamentos antirretrovirais tenha sido priorizado pelos governos nacionais, os serviços de prevenção e testagem sofreram impactos negativos em diversos de países. Além disso, as mortes associadas à hepatite B aumentaram 17% desde 2015, totalizando 1,1 milhão de óbitos em 2024.
Os registros de casos de ISTs continuam subindo, acompanhados por uma crescente resistência a antibióticos usados no tratamento da gonorreia, especialmente a ceftriaxone, cujos níveis de resistência superam 5% na Ásia.
O caminho para 2030
Segundo o diretor-geral da OMS, Tedros Ghebreyesus, o estudo conta duas histórias: demonstra o que é possível quando os países investem em saúde, mas também o que acontece quando há interrupções de financiamento.
Apesar das inovações científicas e investimentos impactarem beneficamente a saúde global, os cortes no financiamento internacional ameaçam décadas de conquistas. Para o período de 2026 a 2030, a OMS aponta a integração de serviços como principal solução. A recomendação é que os atendimentos de HIV, hepatites e ISTs sejam incluídos na atenção primária de saúde.
Até 2030, a aposta da agência para cumprir as metas está na adoção de novas tecnologias, como o lenacapavir, inibidor de longa ação para prevenção do HIV, e diretrizes para a profilaxia pós-exposição com doxiciclina, doxy-PEP.
O relatório também reforça que o engajamento de comunidades e a sociedade civil são indispensáveis para garantir que os serviços alcancem os grupos historicamente excluídos.
Fonte ONU
