
Nesta terça-feira, o número de mortos por ebola no leste da República Democrática do Congo atingiu 2 mil pessoas. O avanço do vírus, anunciado há 90 dias, mostra que a doença está se espalhando mais rápido do que a capacidade de resposta.
A mensagem foi dada por Julien Harneis, coordenador sênior da ONU para o ebola e líder da resposta pelo Comitê Interagencial Permanente.
Mães, pais e filhos alvos do apelo à ação global
Em postagem nas redes sociais, o representante da ONU e da OMS lembrou que, por trás de cada número da estatística existem crianças, mães e pais. Ele reforçou que governos, organizações, doadores e a própria comunidade precisam agir juntos e com urgência para conter a doença e salvar vidas.
Mobilização internacional visa expandir cuidado aos doentes, aprofundar a conscientização comunitária e acelerar medidas pelo fim ao surto
No local, a situação é considerada dramática. As equipes de resgate, especialistas em saúde, autoridades e forças de paz trabalham sem parar em centros de saúde improvisados.
Na semana passada e antes deste anúncio, o general Ulisses Miranda Gomes, comandante da força de paz da ONU na República Democrática do Congo, Monusco, destacou os grandes desafios do combate ao ebola no país em entrevista à ONU News.
Rede precária e dificuldades
“A gente está buscando o máximo de contato com a população, de forma que a gente explique e conduza essa campanha de conscientização, das formas que a gente tem que evitar de pegar o ebola, de ser contaminado e da disseminação. Porém, o país tem algumas dificuldades devido à rede precária de rodovias e estradas e a gente não consegue atingir todas essas comunidades. É um grande problema. Além disso, como eu falei antes da cultura. Nós temos aqui a família, as famílias são grandes com entre 12 e 15 pessoas vivendo numa casa muito pequena. Há o problema também, porque tem outras doenças tropicais como a malária, cólera, febre amarela. Os sintomas iniciais parecem com os do ebola, porém, com o passar do tempo, o ebola vai se caracterizando, especialmente devido ao corpo, a pessoa começa a sangrar pelo nariz, pela boca, então isso aí é onde caracteriza bem o vírus do ebola.”
Nesta segunda-feira, o diretor regional da OMS para a África, Mohamed Janabi, expressou profunda preocupação com a gravidade da situação, classificando o surto na RD Congo como um desafio crítico de saúde pública.
Socorro tardio e o gargalo operacional
Janabi alertou que milhares de novos casos continuam sendo relatados e que um número arrasador de pacientes acaba morrendo em casa por procurar assistência médica tarde demais.
Doença já atinge 53 zonas de saúde em cinco províncias.
No evento, a dimensão operacional da crise foi detalhada por Steve Ahuka, gerente de incidentes para o surto, ao expor os resultados de uma avaliação rápida conduzida após assumir o comando da resposta.
O especialista revelou o avanço do vírus sublinhando que em termos de alcance geográfico a epidemia já atinge 53 zonas de saúde distribuídas por cinco províncias.
Os focos críticos da transmissão seguem altamente ativos em Kivu do Norte e Haut-Uélé, com a província de Ituri consolidada como o principal epicentro das infecções.
Já o balanço epidemiológico ressalta mais de 4,2 mil casos confirmados e cerca de 820 recuperações, com 595 pacientes sob rigoroso isolamento ou hospitalização.
Fortalecimento das ações
Embora o rastreamento de contatos tenha atingido 83,4%, aproximando-se da meta de 85%, as autoridades reforçam que as ações de vigilância, prevenção e mobilização comunitária precisam ser intensificadas sem interrupção.
A OMS reafirmou o fortalecimento contínuo de suas operações no terreno e renovou o apelo urgente para que a população busque atendimento nos centros de saúde logo aos primeiros sintomas.
O chamado de Julien Harneis une-se à mobilização internacional para expandir o cuidado aos doentes, aprofundar a conscientização comunitária e acelerar as medidas necessárias para colocar um fim ao surto declarado há três meses.
*Com informações de agências da ONU.
Fonte ONU
