
Apoiado pela Organização das Nações Unidas para Educação, Ciência e Cultura, Unesco, e pelo Criança Esperança, o Festival de Cinema Acessível Kids iniciou neste agosto a etapa “Fronteiras” no Rio Grande do Sul.
O projeto promove a inclusão social ao reunir crianças com e sem deficiência na mesma sala de cinema e passando por cidades como Santana do Livramento, Jaguarão e Santa Vitória do Palmar antes de seguir para Brasília, capital do país.
Orientado ao público adulto
Em 2015, o empreendedor cultural e musicista Sidnei Schames, conhecido por Sid, criou o Festival Cinema Acessível, em Porto Alegre. Ele é diretor da OSC Mais Criança e da empresa Som da Luz.
Sessões reúnem, na mesma sala, crianças e jovens neurodivergentes, cegos, surdos, com deficiência intelectual ou cognitiva, além de alunos da rede pública
“Todo o público assiste ao filme com as tecnologias. Isso proporciona que crianças e jovens com deficiência e sem deficiência possam estar juntos na mesma sala de cinema com a mesma oportunidade de entendimento e emoção que o cinema traz para todo mundo.”
Festival de Cinema Acessível Kids
É uma experiência de cinema onde todos “riem, se emocionam e compreendem a história ao mesmo tempo”, e a ideia dos organizadores é “que ninguém fique para trás”. Essa é a proposta central do Festival de Cinema Acessível Kids.
A iniciativa a serviço da Inclusão Educacional leva arte e capacitação a municípios do Rio Grande do Sul.
As exibições são gratuitas e recursos integrados de audiodescrição, legendas descritivas e Janela de Libras, a língua brasileira de sinais, apresentados de forma aberta e simultânea para o público.
O festival transforma a sala de cinema em um espaço democrático de convivência entre crianças e jovens neurodivergentes, cegos, surdos, com deficiência intelectual ou cognitiva, além de alunos da rede pública e de baixa renda.
Indignação infantil ao impacto nacional
A trajetória do projeto traz uma história de inspiração familiar que partiu da estreia. Seu filho Davi, então com oito anos, foi impedido de entrar na sessão devido à classificação indicativa. O menino questionou ao pai por que não criou um festival acessível para os outros, mas não para ele.
Público em um evento da Unesco sobre inclusão cinematográfica no Brasil.
Pouco tempo depois, Davi trouxe a solução que passaria por “criar um festival para as crianças com o nome: Festival de Cinema Acessível Kids – Leve seu pai ao cinema”.
Programa Criança Esperança
A ideia que ganhou corpo em 2016, obteve o apoio formal da Unesco. Com esse suporte, em 2022 o projeto passou a integrar o programa Criança Esperança uma parceria entre a Unesco e a TV Globo, alcançando projeção nacional.
Em 2026, em sua 5ª participação no programa, o circuito expande ainda mais sua atuação.
Para Sidnei Schames a apresentação das três tecnologias de forma simultânea e aberta permite que crianças com e sem deficiência estejam juntas na mesma sala, com a mesma oportunidade de entendimento e emoção.
Desta forma é fortalecido “o convívio natural e mostrado que a sociedade é feita da diversidade de cada um.”
Derrubando muros e expandindo fronteiras
A escolha do nome para a nova circulação reflete tanto a localização geográfica das cidades quanto o propósito social do evento.
O idealizador contou que é a primeira vez que são visitadas cidades próximas à fronteira, mas o nome “Fronteiras” fala principalmente sobre a capacidade de alargar limites. Ao contrário de construir muros, a iniciativa está “congregando as pessoas e educando para um mundo com mais respeito e acesso cultural.”
Além das sessões de cinema, o projeto realiza o workshop “Agente de Transformação Social – Educadores Mais Inclusivos”.
O projeto voltado a até 35 educadores por cidade busca preparar professores e agentes sociais para um acolhimento de uma forma adequada de pessoas com deficiência nas escolas e ambientes comunitários.
*Eleutério Guevane é jornalista-sênior da ONU News.
David e Sidnei Schames participam juntos em evento público do festival
Fonte ONU
