À frente da Superintendência Jurídica da Eztec, executivo transforma a área legal em parceira das decisões corporativas e mostra por que escuta, presença e visão empresarial podem destravar operações complexas
Durante muito tempo, os departamentos jurídicos foram vistos pelas empresas como estruturas essencialmente defensivas, acionadas para revisar contratos, apontar riscos e impedir decisões que pudessem gerar problemas legais. A crescente complexidade dos negócios, entretanto, vem exigindo uma atuação diferente: mais próxima das áreas operacionais, mais integrada à estratégia e capaz de encontrar caminhos juridicamente seguros para viabilizar oportunidades.
É nesse movimento de transformação que se destaca a atuação de José Renato Gasparini, advogado com mais de 25 anos de experiência e atual superintendente jurídico da Eztec, uma das principais incorporadoras e construtoras do mercado imobiliário brasileiro.
Gasparini construiu sua carreira na interseção entre direito, gestão e desenvolvimento de negócios. Sua visão rompe com o modelo do departamento jurídico que se limita a reagir às demandas apresentadas por outras áreas. Para ele, o advogado corporativo precisa compreender os objetivos da organização, participar das decisões desde o início e contribuir ativamente para que projetos avancem com segurança.
“O jurídico não existe para dizer não. Existe para encontrar o caminho”, afirma.
A frase resume uma concepção desenvolvida ao longo de sua trajetória: o conhecimento técnico é indispensável, mas alcança seu maior potencial quando combinado com capacidade de negociação, visão empresarial, inteligência relacional e compreensão dos interesses envolvidos em cada operação.
Do controle de riscos à geração de valor
No ambiente corporativo contemporâneo, a área jurídica deixou de ser responsável apenas pela análise de contratos e pelo contencioso. Mudanças regulatórias, novas tecnologias, governança, proteção de dados, relações com investidores e exigências de transparência passaram a influenciar diretamente as decisões das empresas.
Para Gasparini, um departamento jurídico que apenas valida ou bloqueia iniciativas desperdiça parte significativa de sua capacidade de contribuir para o negócio.
Ao chegar à Eztec, o executivo encontrou uma equipe com elevado conhecimento técnico e disposição para evoluir. A partir dessa base, passou a desenvolver um modelo de gestão mais horizontal, colaborativo e conectado às diferentes áreas da companhia.
O objetivo é fazer com que os profissionais do jurídico compreendam não apenas a legislação aplicável, mas também as razões comerciais, operacionais e estratégicas de cada projeto. Essa aproximação permite antecipar riscos, reduzir conflitos e construir soluções antes que os problemas comprometam uma negociação.
Na prática, o departamento passa a ser acionado desde a concepção das operações, e não somente quando as decisões já foram tomadas ou quando surge algum obstáculo.
“Buscamos proximidade com os clientes internos para que nos vejam não como uma área de resposta, mas como um parceiro de primeira hora”, explica Gasparini.
Gestão jurídica orientada por estratégia
Na Eztec, essa visão é traduzida em processos de acompanhamento contínuo. A área jurídica realiza reuniões semanais, mensais e trimestrais para analisar questões operacionais, táticas e estratégicas.
Os diferentes ciclos de reunião ajudam a separar as demandas urgentes das discussões estruturais, evitando que o departamento concentre toda a sua energia na resolução de problemas imediatos. Também são realizadas apresentações sobre temas capazes de afetar a companhia, permitindo que a organização avalie previamente possíveis impactos e defina seu posicionamento.
Outro ponto importante é o relacionamento permanente com associações e entidades representativas da construção civil. Em um setor diretamente afetado por regras urbanísticas, ambientais, contratuais, tributárias e regulatórias, acompanhar as mudanças desde sua origem representa uma vantagem estratégica.
Essa atuação permite que o jurídico vá além da interpretação de normas já estabelecidas e ajude a companhia a se preparar para transformações que ainda estão em desenvolvimento.
A abordagem também se relaciona com os debates atuais sobre governança, integridade, inteligência artificial, gestão de riscos e proteção de dados. Em 2026, Gasparini participou, ao lado de profissionais de diferentes áreas da Eztec, de discussões corporativas sobre o uso responsável de novas tecnologias e a necessidade de integrar inovação, ética e transparência nos processos decisórios.
Escuta e presença em operações complexas
Embora valorize a preparação técnica, Gasparini acredita que algumas das negociações mais difíceis não são resolvidas exclusivamente por argumentos jurídicos. Em determinadas situações, a presença das pessoas certas e a disposição para compreender os diferentes interesses produzem resultados que documentos e comunicações formais não conseguem alcançar.
Um dos casos mais marcantes de sua trajetória envolveu a aquisição de um terreno onde funcionava uma fábrica tombada, destinado ao desenvolvimento de um shopping center. A operação reunia mais de oito empresas, cinco escritórios de advocacia e diferentes interesses econômicos e jurídicos.
Após meses de negociação, diversos participantes passaram a considerar que o negócio não seria concluído. Diante do impasse, Gasparini defendeu que os principais envolvidos se reunissem presencialmente para ouvir todas as partes e construir uma solução conjunta.
A estratégia funcionou. A operação foi concluída e a comercialização da participação que permaneceu retida alcançou valor superior ao obtido com a parcela principal da negociação.
Para o advogado, a relevância desse caso não está apenas na complexidade da estrutura jurídica ou no resultado econômico. O principal aprendizado foi perceber que presença, escuta e confiança podem destravar negociações que pareciam inviáveis.
“As situações mais complexas raramente se resolvem com mais técnica, mas com mais presença humana. A escuta constrói o que os contratos, sozinhos, não conseguem”, observa.
Liderança baseada no desenvolvimento das pessoas
Carioca, marido de Simone e pai de Nicolas, Gasparini atribui à própria formação familiar uma parte importante de sua maneira de liderar. Filho de um casal que permanece unido há mais de cinco décadas, afirma ter aprendido desde cedo o valor de cuidar das pessoas e das relações construídas ao longo da vida.
O esporte também esteve presente em sua trajetória, inicialmente por meio do vôlei e da natação e, posteriormente, do tênis. Fora do ambiente profissional, mantém interesse pela gastronomia e pelo universo dos vinhos.
Essas referências aparecem em seu estilo de gestão. Em vez de concentrar todas as decisões, Gasparini procura criar um ambiente no qual os integrantes da equipe tenham autonomia, participem das discussões e desenvolvam uma compreensão mais ampla do negócio.
Na sua avaliação, resultados de alta performance não são produzidos apenas por profissionais individualmente qualificados, mas por equipes que compartilham conhecimento, assumem responsabilidades e percebem o impacto de seu trabalho sobre toda a organização.
Esse modelo também contribui para a formação de novos líderes. Ao aproximar profissionais das discussões estratégicas, o jurídico deixa de ser apenas uma escola de técnica e passa a desenvolver competências como comunicação, negociação, pensamento crítico e visão empresarial.

José Renato Gasparini
Uma nova identidade para o jurídico corporativo
A transformação defendida por Gasparini acompanha uma mudança mais ampla no mercado. Empresas submetidas a ambientes regulatórios complexos precisam de áreas jurídicas capazes de equilibrar proteção e velocidade, reduzindo riscos sem impedir inovação e crescimento.
Isso exige que o advogado corporativo compreenda demonstrações financeiras, modelos de negócio, planejamento, governança e relações institucionais. Também demanda habilidade para traduzir riscos jurídicos em informações claras para executivos que precisam tomar decisões.
Nesse novo modelo, a autoridade do líder jurídico não decorre apenas do domínio das leis. Ela também é construída pela capacidade de influenciar decisões, estabelecer confiança e oferecer alternativas viáveis diante de cenários complexos.
Ao combinar experiência jurídica, visão estratégica e atenção ao desenvolvimento humano, José Renato Gasparini representa uma geração de executivos que reposiciona o departamento jurídico dentro das organizações. A área deixa de ser percebida como a última etapa de aprovação e passa a ocupar um lugar relevante na criação de valor.
Para Gasparini, porém, a contribuição mais importante de sua trajetória não deve ser medida apenas pelas operações concluídas ou pelos resultados corporativos alcançados.
“Quando penso em legado, não penso em protagonismo. Penso em contribuição. Quero fazer diferença no desenvolvimento das pessoas com quem trabalho e deixar um jurídico mais humano, mais inovador e mais parceiro dos negócios.”
Essa visão sintetiza sua proposta de liderança: utilizar o conhecimento acumulado não apenas para solucionar questões empresariais, mas para preparar pessoas e construir estruturas capazes de continuar gerando resultados no futuro.
Mais informações sobre sua trajetória e atuação profissional podem ser encontradas no Instagram: @jrgasparini.
